194. Tirado do Fundo do Poço

Jeremias 38.13

TIRADO DO FUNDO DO POÇO

Introdução

  1. Em nossos dias, a expressão “estar no fundo de poço” tem sentido figurado, simbólico, representativo. “É uma metáfora aplicada a pessoas quando estão em momentos de extrema dificuldade pessoal, pelas mais diferentes razões e que se sentem tomadas por desespero e perda de controle”. Alguém descreveu assim sua experiência: Estar no fundo do poço não é fácil. É escuro, sem respostas, sem saída aparente, sem beleza e sem esperança” (Cecília Sfalsin).
  1. Isto pode acontecer por diversas causas, entre as quais problemas financeiros, frustrações matrimoniais, decepções com os filhos, infelicidade com os pais, fracassos profissionais, conflitos interpessoais, doenças físicas ou psicológicas, perdas de pessoas amadas, expectativas não realizadas e assim por diante.
  2. No caso do profeta Jeremias, sua experiência de estar no fundo do poço foi literal, real, factual. O capítulo 38 revela que ele foi alvo de perseguição religiosa, denunciado perante a autoridade política e sentenciado a essa penalidade. O texto informa que foi jogado numa cisterna ou poço, sem água e cheio de lama, para passar o resto dos seus dias.

Desenvolvimento

  1. A narrativa diz assim: “Ouviram, pois, Sefatias, filho de Matã, e Gedalias, filho de Pasur, e Jucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, as palavras que anunciava Jeremias a todo o povo, dizendo: Assim diz o Senhor: O que ficar nesta cidade morrerá à espada, de fome e de pestilência; mas o que sair aos caldeus viverá; porque a sua alma lhe será por despojo, e viverá. Assim diz o Senhor: Esta cidade infalivelmente será entregue na mão do exército do rei de Babilônia, e ele a tomará. E disseram os príncipes ao rei: Morra este homem, visto que ele assim enfraquece as mãos dos homens de guerra que restam nesta cidade, e as mãos de todo o povo, dizendo-lhes tais palavras; porque este homem não busca a paz para este povo, porém o mal. E disse o rei Zedequias: Eis que ele está na vossa mão; porque o rei nada pode fazer contra vós. Então tomaram a Jeremias, e o lançaram na cisterna de Malquias, filho do rei, que estava no átrio da guarda; e desceram a Jeremias com cordas; mas na cisterna não havia água, senão lama; e atolou-se Jeremias na lama”. (Jeremias 38.1-6). Sua pregação suscitou revolta e ele foi jogado no fundo de um poço cheio de lama fedida e cheia de bactérias. O objetivo era matá-lo.
  2. Em nossos dias, quando uma pessoa se sente no fundo de um poço, pelas mais variadas razões, costumam ouvir orientações para transformar numa experiência positiva e ter atitudes que ajudem a sair do fundo do poço. Um famoso coaching escreveu assim: “Mesmo que pareça um ponto sem retorno, o fundo do poço também pode representar um momento de reflexão e recomeço. Muitas vezes, ao atingir esse estado, a pessoa é forçada a avaliar a sua vida, reconhecer padrões negativos e buscar mudanças profundas. Dessa forma, por mais que seja um período doloroso, ele pode ser transformado em um impulso para o crescimento pessoal, desde que a pessoa esteja disposta a buscar ajuda, ressignificar a sua dor e dar pequenos passos em direção à recuperação” (https://jrmcoaching.com.br/blog/estar-no-fundo-do-poco-nao-desista-recomece/) .
  3. Ocorre, todavia, que a mais importante experiência nesses momentos não é apenas refletir sobre lições que possamos aprender e fazer esforço para sair do fundo do poço. A mais importante experiência e que produz resultados é a experiência de ser tirado do fundo do poço, como aconteceu com Jeremias.

3.1. Quando souberam da situação, vários amigos agiram em seu favor, pedindo autorização para tira-lo da cisterna, o que fizeram puxando-o para cima, com cordas (Jeremias 38.7-13).

3.2. Também em nossos dias, quando a situação é figurada, simbólica, representativa, as pessoas precisam de amigos que as tirem do fundo do poço. Amigos que tenham sensibilidade com as dores experimentadas. Amigos que tenham coragem de intervir em favor das pessoas. Amigos que tenham ações necessárias para alterar a situação. Amigos que se vejam como instrumentos de Deus para socorrer pessoas.

3.2. É fazer como o profeta que clamou a Deus, pedindo socorro: "Ó Senhor, meu Deus, com o teu grande poder e com a tua força, fizeste o céu e a terra. Nada é impossível para ti. Tens sido bondoso para milhares de pessoas. Tu és o grande e poderoso Deus; o teu nome é Senhor, o Todo-Poderoso” (Jeremias 32.17).

Conclusão

Encontrando-se nessa situação pelos mais diferentes motivos e por mais que uma pessoa possa aprender lições, ela precisa de Deus e de amigos para tirá-la do fundo do poço.