I João 4.10-12
O AMOR MÚTUO
Introdução
- Em relação ao amor, existem pessoas que tem esse sentimento espontaneamente, não se importando se é ou não correspondida. Também existem pessoas que não conseguem expressar amor a quem quer que seja, mesmo que percebam ser objeto do amor de alguém. Embora essas duas situações sejam muito comuns entre os seres humanos, a proposta do apóstolo João é a de que o amor seja mútuo, recíproco, correspondente no relacionamento entre os cristãos, considerando o amor que Deus nos revelou. Ele escreveu: “Visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros”.
- Esta proposta de João foi além do ensino dado através de Moisés, quando recebeu as leis das mãos de Deus: “Cada um ame ao seu próximo como a si mesmo” (Levíticos 19.18). Embora o mandamento do amor fosse ensinado, a mutualidade ou a reciprocidade ou a correspondência não estava implícita e a base do amor ao próximo era o amor a si mesmo, independentemente do que a outra pessoa viesse a sentir. O que João apóstolo ensinou foi a partir das palavras de Jesus Cristo. O ensino de João foi mais sublime, pois estabeleceu mutualidade, reciprocidade, correspondência e apresentou como outra base o amor de Jesus: “Como eu vos amei, amai-vos uns aos outros” (João 13.34). Portanto, João apóstolo ensinou o que havia aprendido com Jesus Cristo.
Desenvolvimento
- Para que esse tipo de experiência, com essa sublimidade e singularidade, possa ser praticado é preciso que duas pessoas expressem amor uma a outra. Todavia, isto só é possível quando ambas as pessoas experimentam também o amor de Jesus Cristo, porque essa é a base da mutualidade ou reciprocidade ou correspondência. Se ambas as pessoas não experimentarem o amor de Deus em seus respectivos corações, apenas uma delas estará amando ou nenhuma das duas conseguirá amar, mesmo que Deus tenha dado o mandamento do amor através de Moisés. Por isso, a carta de João foi escrita a cristãos e tem como base o terem experimentado o amor de Deus: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros”.
- Fortalecendo o seu ensino, o apóstolo João lança mão de um argumento que os cristãos não poderão revidar. Ele mencionou a invisibilidade de Deus e linhas depois explicou. Ele escreveu: “Ninguém jamais viu a Deus”. E prosseguiu linhas após em seu argumento: “Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão”. Seu argumento tinha o objetivo de persuadir os cristãos a amar uns aos outros tanto quanto diziam que amavam a Deus.
- Ao longo de suas cartas, ao enfatizar várias vezes a importância do amor mútuo, João destacou alguns argumentos. Ele é expressão de uma espiritualidade alegada. Uma coisa é dizer que é espiritual e outra coisa é tornar essa espiritualidade visível através do amor (I João 2.9,10). A experiência de amar afasta a agressividade inata na natureza humana, razão pela qual as pessoas discutem, brigam e matam (I João 3.11-15). Uma vez vivendo em amor uns com os outros, essa será a mais clara demonstração do cumprimento da vontade de Deus que tanto desejamos obedecer (II João 5,6).
Conclusão
Ao escrever suas cartas, o apóstolo João tratou de assuntos doutrinários, mas não deixou de enfatizar a importância dos cristãos amarem uns aos outros, inclusive na familia. Disse isso na segunda carta: “E agora, senhora, rogo-te, não como te escrevendo um novo mandamento, mas aquele que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros” (II João 5). Ao iniciar, usou a expressão “Κυρία” (Kyría), cujo significado literal da palavra realmente é “senhora adulta”. A outra palavra “τέκνον” (téknon), traduzida por “filhos”, queria realmente dizer criança, menino. Em outras palavras, acreditamos que a carta realmente foi escrita a uma senhora, mãe de família cristã, entendendo que essa senhora e sua família estavam tendo dificuldades em expressar amor entre si, no ambiente familiar, mesmo guardando as doutrinas. Teria sabido dessa situação através dos filhos da irmã dessa senhora, mencionada no último versículo. Em suma: amar uns aos outros na igreja e na família.












