Filipenses 1.24
MOTIVAÇÃO PARA VIVER
Introdução
- Existem pessoas cuja tendência natural é viver, independentemente da situação dramática, terrível, adversa, problemática que estejam experimentando. É como se nada lhes afetasse para tirar o ânimo, a disposição, a garra, o entusiasmo, o dinamismo, o propósito.
- Outras pessoas, no entanto, não são assim. Outras pessoas perdem a motivação para viver quando atravessam momentos difíceis. Algumas delas são facilmente afetadas, como se fossem hipersensíveis aos problemas, dificuldades, desafios, decepções, frustrações. Isto sem mencionar as pessoas que inexplicavelmente sofrem alterações bioquímicas em seu organismo e tem imediata necessidade de medicação para equilibrar o funcionamento das glândulas.
- Neste caso, estas pessoas que perdem a motivação para viver e começam a enxergar a morte como a melhor opção, interrompendo relacionamentos, projetos, compromissos, sonhos. No Brasil, em 2023, somente no SUS, 11.502 internações hospitalares foram registradas de pessoas que desejavam morrer, o que deu uma média diária de 31 casos (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2024-09/brasil-tem-mais-de-30-internacoes-ao-dia-por-tentativa-de-suicidio).
Desenvolvimento
- Ao pensar nessas pessoas precisando de motivações para viver, lembrei-me da experiência do apóstolo Paulo, quando escreveu, em uma de suas cartas, que uma de suas motivações para viver era as necessidades de outras pessoas. Ele deixou escrito: “Por amor a vós fico na carne” Isto é, “permaneço vivo”.
1.1. Longe de mim qualquer ideia relacionada a não valorizar a si mesmo, considerando suas necessidades, seus interesses, seus objetivos na vida. Inegavelmente que o pensar em si mesmo é um ato essencial de autocuidado e autoconhecimento, permitindo renovar energias, definir limitações saudáveis e fortalecer a autoestima. Uma psicóloga escreveu: “Pensar em si mesmo e reelaborar a vida, questionar-se sobre os automatismos e enquadres que impedem a experiência de uma vida autoral, talvez seja o único modo de encontrar-se um dia” (Cristiane Dodpoka).
1.2. Ocorre, todavia, que se este pensar em si não está sendo saudável ou não é mais suficiente para motivar o ato de viver, outras motivações devem passar a existir, entre as quais, a de pensar nos outros que estão ao redor. Aliás, nesse sentido, um escritor disse: “Quando dizemos que uma pessoa pensa nos outros, geralmente estamos nos referindo ao fato de que essa pessoa está consciente das necessidades, sentimentos e bem-estar dos outros ao seu redor. Isso envolve considerar as perspectivas e emoções das pessoas, demonstrar empatia e agir de maneira altruísta. Pessoas que pensam nos outros muitas vezes estão dispostas a ajudar, apoiar e se importar com o que acontece com as pessoas ao seu redor” (Décio Martins de Medeiros).
1.3. Considerando o plano Deus para sua vida, o apóstolo Paulo pensava nos outros, tanto em termos materiais quanto espirituais. Pensava na necessidade deles ouvirem o evangelho e crerem em Jesus Cristo. Pensava na formação da personalidade cristã deles através dos ensinos deixados por Jesus Cristo. Pensava no cuidado que deveria lhes proporcionar diariamente, em termos de necessidades financeiras, saúde, trabalho, moradia.
- O mais interessante na percepção desse fato em sua vida, é que em sua teologia, a morte seria não apenas um alivio ou um descanso. A morte era o encontrar-se com Jesus Cristo, o que seria “muito melhor”. Ele tinha o que hoje podemos chamar de “certeza da salvação”. É uma experiência que todo verdadeiro crente deve ter, em vez de ficar em dúvida se vai ou não ser salvo, quando chegar a hora da morte. Para confirmar essa verdade, o apóstolo João também assim afirmou: “Estas coisas vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, a vós que credes no Filho de Deus” (I João 5.13).
- Todavia, por mais que a morte lhe parecesse inclusive vantajosa em termos espirituais celestiais e eternos, ele preferia continua vivo por causas de pessoas que o cercavam. Nesse sentido, minha recomendação para mim mesmo e para as pessoas que perderem a vontade de viver é a mesma que foi experimentada pelo apóstolo Paulo, quando a morte pareça a melhor opção. Considerar a necessidade de seus familiares, parentes, amigos, irmãos da igreja e, principalmente, a missão que Deus nos deu para estar vivo neste mundo.
Conclusão
Se há uma desorganização bioquímica no corpo, a pessoa precisa de acompanhamento médico, se o ato de pensar si mesmo deixou de ser importante, inclua também em seus propósitos a decisão de cuidar de pessoas que precisam de você. Mais ainda: enriqueça essa motivação com uma oração dirigida a Jesus Cristo, pedindo que ele dê essa e outras motivações para viver.














