170. Impedidos de Receber as Bênçãos

Números 20.12,22-24

IMPEDIDOS DE RECEBER A BÊNÇÃO

Introdução

  1. Um dos propósitos de Deus, claramente expostos nas páginas da Bíblia, é o de nos abençoar. Aliás, nesse sentido, Jesus Cristo afirmou: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mateus 7.11) Para não haver dúvida, Paulo apóstolo chegou a ensinar “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1.3).
  2. Ocorre, todavia, que nem sempre é isso que acontece. Não aconteceram várias vezes com as pessoas que faziam parte do povo de Israel. Não tem acontecido com vários que são membros de igrejas cristãs. Se Deus quer nos abençoar, o que foi garantido por Jesus Cristo e confirmado pelo apóstolo Paulo, precisamos descobrir as razões pelas quais essas bênçãos não chegaram a eles e podem não estar chegando a nós.

Desenvolvimento

  1. Estudando os acontecimentos ocorridos no tempo em que o povo de Israel saiu da Egito e atravessou o deserto para ter a bênção de entrar na Terra Prometida, podemos perceber alguns detalhes que podem nos ajudar nos dias atuais, pois “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente”.

1.1. Lendo a história ocorrida, percebemos que a benção havia sido prometida desde a época de Abraão. Continuou sendo mantida desde o tempo quando viveram no Egito. Estava para ser experimentada depois da travessia do deserto.  Havia uma bênção prometida e eles estavam prestes a desfrutar dela.

1.2. É claro que a bênção não seria experimentada sem esperar pelo tempo certo, sem problemas a resolver, sem dificuldades a sanar, sem lutas a vencer. Nesse sentido, muitos se enganam quando dizem que por causa disso “as bênçãos não caem dos céus em nossas mãos”, anulando a necessidade da participação humana na apropriação delas. Outros se enganam concluindo que não caem dos céus, mas que “nossas conquistas são resultado do esforço, do empenho, do trabalho, do sacrifício de nossa parte”. Na verdade, as bênçãos realmente são dádivas de Deus, mas precisam ser apropriadas por nós, com atitudes que nos façam experimentá-las.

  1. Foi exatamente quanto às atitudes que uma parte do povo de Israel deixou de receber as bênçãos que haviam sido prometidas.

2.1. Uma dessas atitudes, constantemente repetida por aquelas pessoas, foi murmuração. A maior parte do tempo da travessia, eles passaram murmurando, reclamando, queixando de tudo. Estavam sempre insatisfeitos., chegando ao ponto de levar o manso Moisés a perder a calma e, com irritação, bater na rocha para tirar água”. Por isso, o apóstolo Paulo teve o cuidado, anos mais tarde, de recomendar aos coríntios que “não murmurassem, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor” (I Coríntios 10.10). A bem da verdade, admito que assim como aconteceu com eles, naquelas circunstâncias, também em nossos dias não irão faltar motivos para que haja murmuração, seja por causa de dificuldades financeiras ou doenças, seja por perdas ou expectativas não realizadas.

2.2. Outra atitude foi a dificuldade de relacionamento com os edomitas. Moisés viu que a chegada da benção poderia ser antecipada, se conseguissem passar direto pelas terras de Edom, que ele chamou de irmão, pleiteando sua compreensão em permitir a passagem. Moises apelou, argumentou e recorreu à história de amizade dos dois povos. Todavia, nada conseguiu. Teriam que contornar as montanhas de Hor, cujas consequências seriam o aumento do tempo da travessia e a morte de toda uma geração que não iria desfrutar da benção por causa da murmuração. Era o juízo de Deus sim, mas o fato foi a falta de amizade cultivada entre eles para que tivessem a autorização para atravessar. Muitas vezes, em nossos dias, esquecemos a importância das amizades como meio para receber as bênçãos de Deus, através delas. A Bíblia ensina: “O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade” e “Existe amigo
mais apegado que um irmão
” (Provérbios 17.17; 18.24). Jesus lembrou a importância de conseguirmos amigos enquanto estamos neste mundo (Lucas 16.9).

Conclusão

Se “Deus não é homem para mentir e nem filho do homem para se arrepender” (Números 23.19), certamente que ele cumprirá suas promessas feitas aos cristãos e a cada um de nós, inclusive quanto a bênçãos que deseja nos conceder. Todavia, precisaremos sempre vigiar e direcionar nossas atitudes para que realmente venhamos a nos apropriar das bênçãos. Só assim poderemos cantar: “Chuvas de bênçãos teremos; é a promessa de Deus”.