230. O Drama Humano do Pecado

Romanos 7.14-24

O DRAMA HUMANO DO PECADO

Introdução

  1. Há muitas experiências na vida humana que podem ser legitimamente reconhecidas como verdadeiros dramas humanos, quer no passado, quer no presente. Apenas para citar alguns exemplos: ter estado nos campos de concentração do nazismo ou nos atuais campos de concentração; cuidar de pessoas que reconhecidamente não serão curadas de suas enfermidades e cujos desdobramentos são limitações insolúveis e sofrimentos que nunca serão aliviados; estar fadado a viver abaixo da linha de miséria financeira, sem qualquer possibilidade de alterar essa situação; relacionamentos inevitáveis onde não há como escapar da agressividade ou das ofensas morais; estar debaixo de acusações injustas de crimes que não cometeu e que resultam em prisão inaceitável; fazer parte de famílias que veem seus membros serem levados pelas drogas, pela prostituição, pela criminalidade.
  2. Sem desprezar qualquer um desses ou de outros dramas, ao fazer confissões sobre sua vida pessoal, o apóstolo Paulo mencionou o drama de ser herdeiro do pecado, de ser dominado pelo pecado e de ser condenado por causa do pecado, que não podia eliminar de sua existência. Confessando uma situação de instabilidade e círculo vicioso quanto ao ato de pecar, ele chega clímax desse drama em sua expressão conclusiva: “Miserável homem que sou. Quem me librará dessa morte?”.

Desenvolvimento

  1. Infelizmente, no passado ou no presente, existem pessoas que não conseguem perceber e admitir que sejam pecadoras. Pior ainda: muitos e cada vez mais pessoas até negam que exista pecado e que tratar deste assunto é uma atitude que está fora da moda. O máximo que conseguem é falar em erros, falhas, imperfeições, minimizando o drama do pecado na vida humana.

1.1. Por isso, um dos ensinos de Jesus Cristo a respeito da obra do Espírito Santo é a de que uma de suas tarefas é convencer o homem do seu pecado. Nesse sentido, quando esta é a situação, não basta que qualquer pessoa lhe diga que está em pecado.

1.2. Também por isso, o apóstolo João escreveu em sua carta que ao “dizermos que não pecado em nós, enganamo-nos a nós mesmos e que se dissermos que não temos pecado, tornamos Deus mentiroso” (I João 1.8,10). É Preciso então que a própria pessoa perceba e admita que é pecadora.

1.3. Nesse sentido, um dos objetivos da pregação que seja bíblica é denunciar o pecado das pessoas, como fizeram pregadores famosos como Finey, Spurgeon, Moody, Luis Palau, Billy Graham. Eles pregavam sobre as necessidades das pessoas e também sobre a importância das motivações para viver, porém nunca deixaram de mencionar os Dez Mandamentos, as advertências dos profetas e as admoestações dos apóstolos, exaradas nas páginas da Bíblia.’

  1. Num esforço para descobrir razões pelas quais os seres humanos estão deixando de ter consciência de pecado, o teólogo Walter Conner escreveu: “Na proporção que os homens perdem a consciência de Deus, a ideia de pecado vai desaparecendo de suas mentes e corações”.

2.1. Não é apenas uma questão de estatística a respeito de quantas pessoas acreditam ou não acreditam em Deus, mostrando o crescimento do número de ateístas ou agnósticos. É uma questão de estilo de vida em que mesmo acreditando em Deus, mesmo invocando Deus, mesmo participando de igrejas, pessoas deixam de considerar a vontade de Deus em suas atitudes e decisões, optando pelo hedonismo, pela permissividade, pelo relativismo e pela pluralidade religiosa.

2.2. Aliás, essa foi a denúncia de alguns teólogos do liberalismo, quando falaram na “morte de Deus”. Embora muitos interpretassem que eles estavam pregando ateísmo na religião, o que eles realmente estavam fazendo era relevar que pessoas começaram a viver como se Deus estivesse morto e não fizesse mais falta na vida do homem contemporâneo. Estavam revelando o declínio da influência da fé cristã e da cosmovisão religiosa como o valor supremo e guia da cultura ocidental moderna.

  1. Ao confessar seu drama humano como pecador e se autodescrever como miserável, o apóstolo Paulo descobriu que em Jesus Cristo ele havia alcançado a solução do seu problema espiritual. Depois de admitir que era um contumaz pecador, ele se tornou um crente em Jesus Cristo, passando a considerar a vontade de Deus como prioridade em sua vida: "Dou graças a Deus por Jesus Cristo, que me livrou desta morte".

3.1. Com relação às consequências da atitude de ignorar Deus e de negar o pecado, no passado ou no presente, Jesus Cristo foi muito claro em seus dias, declarando aos seus ouvintes: “Morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (João 8.24). Se viver em pecado é reflexo de uma vida atual sem Deus, morrer em pecado significará uma eternidade sem Deus, isto é, condenação ao inferno com a companhia do Diabo.

3.2. Mostrando os efeitos da fé em Jesus Cristo, depois de reconhecer os pecados, o apóstolos João acrescentou:  “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Estas coisas vos escrevi, aos que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus” (I João 1.9; 5:13).

Conclusão

Todos os dramas humanos devem tratados de maneira correta e respeitosa, inclusive o drama humano do pecado. Quanto ao pecado, a maneira correta de tratar é admitir sua existência e crer em Jesus Cristo para obter o perdão e a vida eterna.