Romanos 7.14-24
O DRAMA HUMANO DO PECADO
Introdução
- Há muitas experiências na vida humana que podem ser legitimamente reconhecidas como verdadeiros dramas humanos, quer no passado, quer no presente. Apenas para citar alguns exemplos: ter estado nos campos de concentração do nazismo ou nos atuais campos de concentração; cuidar de pessoas que reconhecidamente não serão curadas de suas enfermidades e cujos desdobramentos são limitações insolúveis e sofrimentos que nunca serão aliviados; estar fadado a viver abaixo da linha de miséria financeira, sem qualquer possibilidade de alterar essa situação; relacionamentos inevitáveis onde não há como escapar da agressividade ou das ofensas morais; estar debaixo de acusações injustas de crimes que não cometeu e que resultam em prisão inaceitável; fazer parte de famílias que veem seus membros serem levados pelas drogas, pela prostituição, pela criminalidade.
- Sem desprezar qualquer um desses ou de outros dramas, ao fazer confissões sobre sua vida pessoal, o apóstolo Paulo mencionou o drama de ser herdeiro do pecado, de ser dominado pelo pecado e de ser condenado por causa do pecado, que não podia eliminar de sua existência. Confessando uma situação de instabilidade e círculo vicioso quanto ao ato de pecar, ele chega clímax desse drama em sua expressão conclusiva: “Miserável homem que sou. Quem me librará dessa morte?”.
Desenvolvimento
- Infelizmente, no passado ou no presente, existem pessoas que não conseguem perceber e admitir que sejam pecadoras. Pior ainda: muitos e cada vez mais pessoas até negam que exista pecado e que tratar deste assunto é uma atitude que está fora da moda. O máximo que conseguem é falar em erros, falhas, imperfeições, minimizando o drama do pecado na vida humana.
1.1. Por isso, um dos ensinos de Jesus Cristo a respeito da obra do Espírito Santo é a de que uma de suas tarefas é convencer o homem do seu pecado. Nesse sentido, quando esta é a situação, não basta que qualquer pessoa lhe diga que está em pecado.
1.2. Também por isso, o apóstolo João escreveu em sua carta que ao “dizermos que não pecado em nós, enganamo-nos a nós mesmos e que se dissermos que não temos pecado, tornamos Deus mentiroso” (I João 1.8,10). É Preciso então que a própria pessoa perceba e admita que é pecadora.
1.3. Nesse sentido, um dos objetivos da pregação que seja bíblica é denunciar o pecado das pessoas, como fizeram pregadores famosos como Finey, Spurgeon, Moody, Luis Palau, Billy Graham. Eles pregavam sobre as necessidades das pessoas e também sobre a importância das motivações para viver, porém nunca deixaram de mencionar os Dez Mandamentos, as advertências dos profetas e as admoestações dos apóstolos, exaradas nas páginas da Bíblia.’
- Num esforço para descobrir razões pelas quais os seres humanos estão deixando de ter consciência de pecado, o teólogo Walter Conner escreveu: “Na proporção que os homens perdem a consciência de Deus, a ideia de pecado vai desaparecendo de suas mentes e corações”.
2.1. Não é apenas uma questão de estatística a respeito de quantas pessoas acreditam ou não acreditam em Deus, mostrando o crescimento do número de ateístas ou agnósticos. É uma questão de estilo de vida em que mesmo acreditando em Deus, mesmo invocando Deus, mesmo participando de igrejas, pessoas deixam de considerar a vontade de Deus em suas atitudes e decisões, optando pelo hedonismo, pela permissividade, pelo relativismo e pela pluralidade religiosa.
2.2. Aliás, essa foi a denúncia de alguns teólogos do liberalismo, quando falaram na “morte de Deus”. Embora muitos interpretassem que eles estavam pregando ateísmo na religião, o que eles realmente estavam fazendo era relevar que pessoas começaram a viver como se Deus estivesse morto e não fizesse mais falta na vida do homem contemporâneo. Estavam revelando o declínio da influência da fé cristã e da cosmovisão religiosa como o valor supremo e guia da cultura ocidental moderna.
- Ao confessar seu drama humano como pecador e se autodescrever como miserável, o apóstolo Paulo descobriu que em Jesus Cristo ele havia alcançado a solução do seu problema espiritual. Depois de admitir que era um contumaz pecador, ele se tornou um crente em Jesus Cristo, passando a considerar a vontade de Deus como prioridade em sua vida: "Dou graças a Deus por Jesus Cristo, que me livrou desta morte".
3.1. Com relação às consequências da atitude de ignorar Deus e de negar o pecado, no passado ou no presente, Jesus Cristo foi muito claro em seus dias, declarando aos seus ouvintes: “Morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (João 8.24). Se viver em pecado é reflexo de uma vida atual sem Deus, morrer em pecado significará uma eternidade sem Deus, isto é, condenação ao inferno com a companhia do Diabo.
3.2. Mostrando os efeitos da fé em Jesus Cristo, depois de reconhecer os pecados, o apóstolos João acrescentou: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Estas coisas vos escrevi, aos que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus” (I João 1.9; 5:13).
Conclusão
Todos os dramas humanos devem tratados de maneira correta e respeitosa, inclusive o drama humano do pecado. Quanto ao pecado, a maneira correta de tratar é admitir sua existência e crer em Jesus Cristo para obter o perdão e a vida eterna.














