196. Três Erros na Tempestade

Marcos 4.35-41

TRÊS ERROS NA TEMPESTADE

Introdução

  1. As pessoas que desejarem saber como evitar o cometimento de erros em tempestades que ocorrem nos mares e oceanos poderão achar orientações em manuais escritos para marinheiros. Ele aborda técnicas essenciais de navegação, segurança, nós e procedimentos no convés. Inclui uso de cartas náuticas, manobras de fundeio (ancoragem), terminologia naval (vante/ré, boreste/bombordo) e manutenção da embarcação, garantindo a operação segura e eficiente. É um guia para auxiliar os navegantes no treinamento de navegação e nos procedimentos ativos na ponte de comando. As informações incluem cartas náuticas e seu uso, a comunicação de informações de navegação, o ambiente marítimo, restrições à navegação, poluição marítima e conservação.
  2. Todavia, sobre as tempestades que ocorrem durante a vida de cada um de nós, em linguagem figurada, devemos evitar o cometimento dos três erros que os apóstolos cometeram na travessia do Mar da Galileia, ao verem o barco naufragando e se dirigirem a Jesus Cristo em desespero. Na versão de Marcos, ao ouvirem os trovões ribombando entre as nuvens pesadas, ao verem as enormes ondas que subiam e desciam a embarcação e ao sentirem o forte vento açoitando suas vestes, eles disseram a Jesus Cristo: “Mestre, não se te dá que pereçamos?”. Lucas registrou resumidamente: “Mestre, Mestre, perecemos” (Lucas 8.24).

Desenvolvimento

  1. Eu sei que errar é humano, significando que falhar é natural, inerente à nossa existência diante de muitas experiências e servindo como oportunidade de aprendizado e amadurecimento, também fazendo parte da evolução do conhecimento. Todavia, já existe suficiente concordância de que a repetição do erro consciente é considerada tolice, desde a época do teólogo Agostinho, quando deixou sua famosa frase: “Errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico”.
  2. Por isso, não devemos cometer os mesmos erros dos apóstolos, quando passarmos por tempestades no mar da vida, seja por motivos de perdas e sofrimentos, seja por motivos de adversidades e perseguições, seja por motivo de doença, morte e divórcio, seja por decepções e frustrações diante de expectativas.

2.1. Um dos erros que não devemos cometer é crer em Jesus Cristo tendo uma ideia sobre ele menor do que ele realmente é. Embora Mateus tenha registrado que os apóstolos usaram a expressão “Senhor” (kýrios), mas naquele momento significava apenas soberano, príncipe, chefe – um título de honra. Por isso, Lucas e Marcos mostram os apóstolos usando a expressão “Mestre, Mestre” (epitimáō, epistátēs), que continuava significando apenas um título de honra de um supervisor. Ora, Jesus Cristo era muito mais do que isto. Jesus Cristo era e é Deus entre nós, o todo-poderoso, à semelhança do Pai celestial. Jesus Cristo tinha e tem, como Deus entre nós, o poder de acalmar as tempestades nos mares e oceanos e as tempestades no mar da vida, trazendo a bonança. Então, você deve olhar para Jesus e sempre ver Deus – aquele que faz o impossível.

2.2. Outro erro que cometeram e que devemos evitar é imaginar e dizer que Jesus Cristo não se importa conosco, tendo como justificativa o fato de estarmos dentro do olho de um furacão. Eles disseram: “Não te importas?”.  Infelizmente, é assim que agimos quando estamos no meio de problemas, dificuldades, adversidades, perdas, sofrimentos, decepções, frustrações, perseguições, doenças incuráveis. Pensamos e até chegamos a dizer que ele nos deixou entregues à própria sorte, nas mãos de homens ímpios e expostos às ações do Diabo. Esquecemos todo o cuidado que até então, durante toda a nossa vida, Deus nos proporcionou, seja fazendo milagres, seja providenciando conforto e consolação. Somos incapazes de racionar, declarando: “Se até aqui nos ajudou o Senhor, certamente continuará cuidando de nós”.  O cuidado de Deus conosco não deve ser apenas a letra de um belo hino cantado ocasionalmente, mas uma convicção inabalável em todos os dias.

2.3. O erro final deles, na expressão usada, foi concluir que havia chegado ao fim. Com o possível afundamento do barco, seria inevitável a morte deles. A palavra usada (apóllymi) tinha exatamente este significado: “Acabou para nós; é o nosso fim; vamos morrer”. Eles estavam errados, porque ninguém pode dizer que o fim chegou, sejam quais forem as situações, enquanto Deus mesmo não disser. Deus é quem tem nas mãos a data de validade de cada um de nós. Ninguém tem o poder de colocar uma data em nós, escrevendo ou dizendo “Válido por um mês, válido por um ano, válido por três anos”. Assim mesmo, quando chegar o nosso fim, será na verdade um novo começo, pois a porta do céu estará aberta para o início da vida eterna, que nos foi garantida por Jesus Cristo. Mesmo o fim, através de qualquer circunstância, será o novo começo.

Conclusão

Certamente que muito raramente estaremos em um navio, sujeitos a uma tempestade num oceano qualquer, razão pela qual nem devemos nos preocupar em ler qualquer manual de viajantes marítimos, para evitar o cometimento de erros pertinentes. No entanto, mais cedo ou mais tarde, estaremos no meio de uma tempestade qualquer na vida, em termos figurados. Por isso, estejamos alertas para evitarmos cometer os mesmos erros que os apóstolos cometeram no Mar da Galileia. Olhando para Jesus, vejamos Deus entre nós, cuidando todos os dias de cada um e nos guardando até o dia final, que somente ele sabe quando chegará.