João 18.36
AS IGREJAS E A POLÍTICA
Introdução
- Embora algumas igrejas tenham estabelecido o propósito de se fazer representar na política, ora associando-se a candidatos e a partidos e ora até mesmo lançando candidatos, outras igrejas tem feito a opção de manter neutras, imparciais, afastadas.
- Esta atitude de não se envolver diretamente com política não é alienação civil e nem indiferença para com os destinos do país. Pelo contrário, as igrejas que se mantém neutras, imparciais e afastadas entendem que sua influência deve ocorrer através das orações, súplicas e intercessões, pedindo que Deus mesmo nos conceda líderes políticos que sejam idôneos, responsáveis, altruístas, patriotas, honestos, conciliadores, unificadores, modelares.
Desenvolvimento
- Esse entendimento a respeito de neutralidade, imparcialidade e afastamento tem sua origem nos ensinos e na postura de Jesus Cristo, demonstradas no seu tipo de relacionamento com o império romano, que dominava parte do mundo, naquela época. Ele não endossou as manifestações e revoltas políticas expressas pelos zelotes e outros grupos revolucionários, não se posicionou a respeito da maneira como os romanos exerciam o governo e nem fez declarações ideológicas existentes na época.
- Pelo contrário, a palavra assertiva, incisiva e diretiva sobre governos, representados na expressão “reino”, pois essa era a forma de governo praticado, foi de manifestação independente. Ele disse ao governador Pôncio Pilatos: “O meu reino não é deste mundo”. Deixou claro que seu governo é de natureza espiritual e transcendental. Espiritual porque é exercido no coração das pessoas e transcendental porque tem sua origem e destino celestiais.
- Por pensar diferentemente desse posicionamento de Jesus Cristo, algumas igrejas chegaram ao ponto de influir na quantidade de políticos considerados cristãos fazendo parte do Congresso Nacional. Segundo as últimas estatísticas do site Congresso em Foco, “católicos romanos e evangélicos formam, juntos, o maior grupo religioso no Congresso Nacional. São as únicas duas vertentes com representação organizada na forma de frentes parlamentares, com 194 e 210 deputados signatários, respectivamente, além de 26 senadores que integram a bancada protestante. Se consideradas em conjunto, as duas frentes alcançariam 404 deputados, de um total de 513” (https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/116503/frentes-catolica-e-evangelica-compartilham-metade-das-bancadas)
2.1. Pela quantidade, os congressistas considerados cristãos poderiam, em tese, alterar a Constituição, estabelecer leis conservadoras, mudar destinos do país. Isto, todavia, não é o que ocorre, por várias razões.
2.2. Nem invocar o em vão do nome de Jesus Cristo diante de multidões iludidas tem alterado o “status quo”.
2.3. Nem a fantasia de declarar pela fé que o “Brasil é de Jesus Cristo” tem transformado o povo e nem as estruturas sociais, econômicas, judiciais e morais danação brasileira.
- A Cartilha do Eleitor produzida pela Associação de Magistrados brasileiros em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral, na pergunta sobre quem deve dizer ao eleitor em quem votar, responde assim: “Ninguém. Somente a consciência livre pode indicar em quem votar. Não se influencie por líder religioso, político ou líder comunitário, patrões, parentes, grupo ou instituição. Cada um tem o direito de decidir como exercer sua cidadania”. Além de interceder pelas autoridades constituídas no governo, conforme recomendações apostólicas, a participação do cristão no processo eleitora deve ser pautada pela livre consciência, à luz do conhecimento e da análise do perfil e propostas do candidato, considerando principalmente os princípios e valores cristãos.
Conclusão
Assim como os cristãos exercem várias atividades profissionais em sua atuação na sociedade, também é legítima a participação nos três poderes da república, inclusive sendo político partidário, esperando também pelo voto dos cristãos. Todavia, essa participação deve evitar que a fé cristã seja usada para vincular a Igreja com o Estado, assim como manipular os cristãos para iludi-los com a fantasia de que o país e o povo poderão ser transformados sem conversões através evangelização.













