Atos 21.8
EVANGELISTAS NA IGREJA CRISTÃ
Introdução
- Na história do Brasil Cristão, quando estavam surgindo as primeiras igrejas evangélicas e eram poucos os pastores, uma das alternativas encontradas para suprir a liderança delas foi a nomeação de evangelistas. Embora na atualidade essa figura não seja mais encontrada nas igrejas, quando exerci o ministério pastoral em Minas Gerais, no período de 1996 a 1999, tive o privilégio de pregar na posse de um evangelista, na região da Associação Batista Leste da Mata.
- Não se pode negar que o surgimento de evangelistas como líderes de igrejas, em qualquer lugar e a qualquer tempo, teve sua origem na experiência da igreja primitiva do primeiro século, que nomeou Filipe para essa função, conforme foi reconhecido nessa ocasião, quando o apóstolo Paulo chegou à cidade de Cesareia, em sua viagem missionária.
Desenvolvimento
- A palavra “evangelista” é um substantivo presente nas páginas do Novo Testamento derivado do verbo grego “euangelizomai”, que significa “trazer boas-novas”, “anunciar boas-novas” ou, basicamente, “evangelizar”, “pregar o evangelho”. Embora este verbo seja usado para se referir a ação de evangelizar em sentido geral, o substantivo “euangelistḗs”, derivado do verbo, passou a ser um título atribuído a determinadas pessoas.
1.1. Foi o caso de Filipe, um dos 7 que também passaram a ser conhecidos como diáconos (Atos 6.5). Além de exercer as atividades de servir às mesas das viúvas e de outros necessitados, Filipe também se destacou na evangelização, depois que a igreja começou a ser perseguida e foi dispersa: “E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia” (Atos 8.5,6). Logo em seguida, foi levado para uma estrada deserta, onde evangelizou o etíope que voltava de Jerusalém lendo sua Bíblia na carruagem (Atos 8.26-40).
1.2. O título e a função também foram reconhecidos formalmente pelo apóstolo Paulo quando escreveu sua carta aos efésios e, na relação dos líderes das igrejas na época, mencionou os evangelistas na relação: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Efésios 4.11).
- Esclarecendo um pouco mais a função que exerce essa pessoa, enquanto o presbítero caracteriza uma liderança na igreja, o bispo caracteriza a supervisão dos negócios e o pastor caracteriza o cuidado com as ovelhas (Atos 20.17,28), o evangelista é aquele que prioriza a pregação do evangelho anunciando Jesus Cristo como Senhor, Salvador e Mestre, chamando os pecadores a se arrependerem e a crer no evangelho. Ele relata a história de Jesus, seus milagres, suas obras, seus ensinos, suas promessas, a fim de persuadir as pessoas a crerem em Jesus Cristo, mediante o arrependimento dos pecados.
- Desaparecido título na estrutura da igreja, hoje em dia a função passou a ser exercida por crentes que, movidos pelo Espírito Santo, vão encontro das pessoas e testemunham sua fé, chamando-as ao arrependimento dos pecados e a fé em Jesus Cristo. Também os pastores são chamados a fazerem a obra de um evangelista, como o apóstolo Paulo recomendou a Timóteo: “faze a obra de um evangelista” (II Timóteo 4.5). No caso do pastor, ele usa o púlpito para pregar o que chamamos de “sermões evangelísticos” para alcançar a conversão de pessoas.
Conclusão
Além dos diversos dons que são concedidos aos atuais crentes, relacionados nas cartas aos romanos, aos coríntios e aos efésios, resultando no exercício de várias atividades na igreja e no suprimento muitas necessidades das pessoas, é o dom de evangelista que resulta na conversão dos pecadores e no crescimento das igrejas. Por isso, quanto mais evangelistas a igreja tiver entre seus membros, mais e mais pessoas serão convertidas e batizadas.











