276. Crentes que Permanecem Doentes

II Timóteo 4.20

CRENTES QUE PERMANECEM DOENTES

Introdução

  1. A Bíblia ensina que Deus prometeu curar os doentes que nele confiam e que a Ele recorrem em orações, súplicas e clamores. Também a Bíblia registra as histórias de pessoas doentes que procuraram Jesus Cristo e foram curadas. Igualmente não faltam pessoas em nossos dias que poderiam agora testificar que foram curadas através da oração.
  2. Todavia, uma das grandes dificuldades espirituais que existem em nossos dias, difíceis de explicar, é a experiência de crentes que permanecem doentes, mesmo acreditando que Deus tem o poder de curar e mesmo fazendo orações de cura.
  3. Por isso, essa experiência relatada pelo apóstolo Paulo de que deixou Trófimo doente em Mileto, mesmo sendo o apóstolo Paulo que orava pela cura de doentes e mesmo sendo Trófimo, um crente fervoroso e exemplar, ajuda-nos a entender melhor essa dramática realidade que tanto pode estar nos afetando ou afetando pessoas que tanto amamos e pelas quais tanto oramos.

Desenvolvimento

  1. Somos ajudados a lidar com essa dramática realidade quando também somos levados a ler esse relato do apóstolo Paulo. Se o apóstolo Paulo não tivesse compartilhado essa experiência e nós lêssemos apenas os textos que falam de cura, uma das consequências seria a de que nós não temos fé suficiente ou de que Deus não faz mais o milagre de cura em nosso tempo.

1.1. Aliás, essa é uma reação de muitos curandeiros religiosos, quando pessoas não ficam saradas depois de suas orações. Sempre reagem dizendo que o doente não teve fé suficiente, gerando sofrimento ainda maior no coração de crentes sinceros, que realmente acreditam no poder de Deus, mas continuam doentes.

1.2. Também existem aqueles que tentam esclarecer o problema, dizendo que acabou o período de curas milagrosas, razão pela qual não adianta recorrer a Deus, devendo apenas buscar os recursos da medicina. Os que pensam assim ensinam que os recursos da ciência e da fé são excludentes, ignorando que a medicina é um dos meios pelos quais Deus atua e que vários profissionais da ciência admitem que a fé e a oração podem acionar os mecanismos de cura dos pacientes.

  1. A experiência do apóstolo Paulo em não ter obtido a cura de Trófimo de maneira imediata, para que pudesse partir tranquilo, ajuda-nos a perceber que se a cura não for imediata e milagrosa, ela pode acontecer dias, semanas, meses depois, enquanto outras experiências espirituais vão sendo adquiridas pelos doentes.

2.1. Este fato esclarece que, às vezes, a maior necessidade de um crente doente não é a cura imediata de sua enfermidade, mas sua percepção de qual é a vontade de Deus para a sua vida, depois de curado. A pessoa experimentaria um milagre imediato, mas depois continuaria vivendo sem considerar o que realmente Deus quer para a sua vida.

2.2. Lembremo-nos da experiência de Davi, quando dizia: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119.71). Momentos de dor muitas vezes servem como aprendizado, para nosso amadurecimento, ensinando a valorizar o que realmente importa e a buscar um propósito maior, tais como conscientização de erros, ajuste de rota de conduta, estabelecimento de propósitos mais nobres.

  1. Ter deixado Trófimo doente em Mileto nos ajuda a compreender a própria experiência de Paulo quando ficou com a visão doente e pediu que Deus o curasse, mas teve como resposta a suficiência da graça. Jesus lhe disse: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Coríntios 12.9). A palavra fraqueza era de significado médico. A palavra “asthéneia” (fraqueza) significava literalmente saúde debilitada, enfermidade. Se um crente sincero, fervoroso e espiritual continuar doente, a graça de Deus o sustentará, como fez com Paulo, Trófimo e muitos outros ao longo dos tempos e em nossos dias. São vários os crentes doentes que testemunham inexplicavelmente o quanto experimentam o amor e o cuidado de Deus.

Conclusão

Os doentes de hoje em dia não devem cometer o erro do rei Asa, que buscou apenas os médicos, sem buscar a Deus e acabou morrendo (II Crônicas 16.12). Podem fazer como a mulher que sofria de hemorragia, que procurou os médicos, mas suplicou a Jesus que a curasse (Lucas 8.43,44). Enquanto a cura não acontece ou se nunca acontecer, devem experimentar outras bênçãos de Deus, inclusive a suficiência da graça.