Atos 3.1
MEU HORÁRIO DE ORAÇÃO
Introdução
- Provavelmente você faz orações ao se levantar, ao se deitar, ao se alimentar, ao sair de casa, ao viajar, ao passar por problemas, ao se descobrir doente, ao necessitar de dinheiro, ao pensar em casamento, ao estar aqui no templo.
- Inegavelmente essas são ocasiões válidas para desfrutar da presença de Deus, tendo com Ele comunhão, tornando possível a manifestação do poder divino, adorando-O em espírito e em verdade e agradecendo tudo o que tem recebido ao longo de sua história espiritual.
Desenvolvimento
- Ocorre, todavia, que esta maneira de agir acaba tornando a oração uma experiência circunstancial, isto é, associada às circunstâncias que fazem parte de sua vida diária. Mais ainda: não se pode dizer que é uma atitude semelhante à de João e Pedro, pois o texto bíblico nos informa que eles se dirigiram ao templo para estarem como Deus porque aquela era a “hora de oração”.
1.1. Considerando que os judeus tinham um modo diferente de contar as horas do dia, chamando 6.00h da manhã de “primeira hora”, a “hora nona” era 15.00h. Para os judeus devotos havia três horas de oração: às nove da manhã, ao meio-dia e às três da tarde. O salmista Davi falou desses três momentos de oração em sua vida: “De tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei; e clamarei, e ele ouvirá a minha voz” (Salmo 55.17).
1.2. Por mais que eles entendessem que poderiam orar a qualquer momento, como nos ensinaram Jesus Cristo e Paulo apóstolo, o fato de escolher um horário expressava um compromisso formal assumido com Deus, colocando a oração como prioridade naquele horário. O exemplo do profeta Daniel tornou-se incontestável dessa maneira de estar com Deus em oração: “Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (Daniel 6.10).
- Olhando para o ministério de oração de Jesus Cristo, você poderá constatar essa mesma atitude de ter um horário para oração, mesmo que continuamente estivesse diante do Pai Celestial. O texto bíblico de Marcos mostra esse horário específico: “E, levantando-se de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava” (Marcos 1.35).
- Ter um horário específico para orar é uma das ferramentas espirituais mais eficazes para expressar compromisso com Deus, mostrar perseverança na comunhão, desenvolver disciplina e fortalecer sua vida pessoal. Essa prática transforma a oração de um evento circunstancial ou ocasional em uma prática diária. Neurologicamente, quando você estabelece uma hora exata, seu cérebro se prepara para aquele momento, reduzindo as chances de esquecimento ou procrastinação. Psicologicamente, transmite a ideia de que Deus é o mais importante na sua rotina e não apenas uma opção quando sobra tempo. Fisicamente, evita que você deixe a oração para o final do dia, quando você já está cansado, naturalmente predisposto a dormir. Espiritualmente, executa a recomendação de Jesus Cristo, quando disse: “Buscai primeiro o reino de Deus e todas as demais coisas vos serão acrescentadas”.
- Sendo judeus, Davi e Daniel tinham esse hábito nesses três horários definidos nos relatos bíblicos: 9,00h / 12.00 / 15.00. Jesus Cristo tinha o hábito de fazer isto durante a madrugada, antes do nascer do dia. Considerando esses exemplos, além de estar sempre espiritualmente em oração, a escolha de um horário pode fazer muita diferença em sua vida com Deus. O que você deve evitar é a crença de que possam existir horários sagrados para oração e de que somente nesses horários haverá comunhão com Deus. A escolha deve ser ajustada ao momento quando você sabe que haverá exclusividade para Deus, seja de madrugada, sejam pela manhã, seja à tarde, seja à noite.
Conclusão
Pedro e João faziam sua hora de oração nas dependências do templo, mas o lugar pode variar do seu quarto de portas fechadas à sala da casa no sofá ou ao seu jardim debaixo de uma árvore. Uma vez, um crente compartilhou que Deus lhe falara ao coração dizendo que ele deixara de ter um momento de comunhão exclusivo, permitindo que outras coisas tomassem o horário da oração. Ele admitiu o fato e voltou a ter seu momento exclusivo com Deus (Jack Hayford, Revista Atos, vol. 7, pg. 2,3).














