Mateus 26.26-28; Hebreus 8.13
O NOVO PACTO
Introdução
- A palavra original usada nesses dois textos bíblicos é “διαθήκη” (diathḗkē), que pode ser traduzida por pacto, aliança, testamento. Embora pudesse ser aplicado em várias situações na vida de um povo, seu registro nas páginas da Bíblia queria se referir especificamente aos pactos ou alianças ou testamentos que foram feitos entre Deus e o seu povo.
1.1. Nesse sentido, embora alguém tenha registrado sete, apenas quatro seriam os principais: o pacto de Deus com Adão e Eva, depois com Abraão, em seguida com Moisés e finalmente com Jesus.
1.2. Desses quatro, alguns religiosos ensinam que em nossos dias apenas dois seriam consideradas ainda em vigor: a aliança feita através de Moisés, representada nas páginas do Velho Testamento e a aliança feita através de Jesus Cristo, representada no Novo Testamento.
- Embora nós tenhamos toda a Bíblia como objeto de leitura e de vida devocional, em termos de aliança ou pacto ou testamento que realmente esteja em vigor, a própria Bíblia esclarece que apenas o que foi feito por Jesus Cristo, através do seu sacrifício na cruz do Calvário, está em vigor. Jesus mesmo disse que estava fazendo um novo pacto ou aliança ou testamento e o autor da carta aos hebreus enfatizou que ao usar o termo “novo”, estava tornando todos os outros caducos, cuja palavra original é “παλαιόω” (palaióō), que significa desgastado, superado.
Desenvolvimento
- Para que não exista nenhuma dúvida a esse respeito, vamos estudar cada um dos pactos, alianças ou testamento:
1.1. No Pacto feito através de Moisés, depois da aliança com Adão e com Noé podemos constatar três característicos básicos: as bênçãos ou maldições seriam decorrentes da obediência absoluta e total às leis dadas por Deus; era imprescindível o esforço pessoal para se conseguir praticar essa obediência exigida; o sangue dos animais derramado em sacrifícios traria o perdão dos pecados cada vez que houvesse desobediência, falha ou pecado.
2.2. No Pacto feito através de Jesus Cristo, substituindo todas as alianças anteriores, podemos constatar três característicos básicos: exercício da fé em Jesus Cristo, mediante o arrependimento, uma vez que não conseguimos obedecer às leis de Deus, por maior que seja o esforço; a ação do Espírito de Deus no coração do crente para dar-lhe condições de conseguir uma nova vida; sacrifício único de Jesus Cristo no Calvário para perdão completo pela incapacidade e obedecer totalmente às leis de Deus, concedendo-nos assim a sua graça;
- Afirmamos que nós estamos apenas sob a Nova Aliança por duas razões básicas:
2.1. Jesus Cristo foi muito claro: “A lei e os profetas duraram até João” (Lucas 16.16,17). Embora as leis de Deus não tenham sido mudadas, pois nem um “j” ou “til” será tirado da lei, o ser humano não conseguiu obedecê-las integralmente. Pedro apóstolo declara abertamente, na discussão no Concílio em Jerusalém: “Por que colocais sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nós nem nossos pais conseguimos suportá-lo. Mas cremos que seremos salvo pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 15.10,11).
2.2. Comentando a validade dos pactos ou testementos, o autor aos Hebreus é categórico em afirmar a vigência apenas da Aliança feita através de Jesus Cristo (Hebreus 8.6-13).
Conclusão
Isto significa que podemos e devemos ler toda a Bíblia, principalmente para vida devocional, pesquisa histórica e conhecimento da vontade de Deus, mas o Pacto que está em vigor é através de Jesus Cristo. Não importa quantas alianças Deus tenha feito com os seres humanos, sejam nove, sete, quatro ou duas. O que importa é que o ser humano não conseguiu cumprir nenhuma delas, razão pela qual Jesus veio ao mundo para que nós possamos finalmente viver na presença de Deus com base em sua graça, concedida através do seu sacrifício na cruz do Calvário, cabendo a nós exercer a fé, mediante o arrependimento dos pecados e tendo o Santo Espírito em nosso coração para colocarmos em prática os seus ensinos, conforme erstáno Novo Testamento.














