86. Dons no Serviço Cristão

I Coríntios 12.1

DONS NO SERVIÇO CRISTÃO

Introdução

  1. Há algum tempo, o Instituto Data Folha entrevistou 1.541 pessoas em 168 cidades do país abordando quais seriam os assuntos mais importantes para elas. Os assuntos foram: casamento, família, morte, sexualidade, emprego, política, participação na igreja. Sobre emprego, a pesquisa constatou, naquele momento, que 40% do total de entrevistados desejavam ter um trabalho bom e decente.
  2. O que me chamou a atenção, razão porque estou mencionando essa pesquisa, é que 39% das pessoas declararam também trabalhar na igreja em que participavam como voluntários. Então, o comentarista da entrevista escreveu: “A igreja é a organização em que mais atuam[1]. Ficou claro que, mesmo desejando exercer uma atividade profissional no mercado de trabalho, muitas pessoas já descobriram a importância de trabalhar na igreja que frequentam (Jornal A Gazeta, 29/07/2008, pg. 4).
  3. Por outro lado, mesmo que muitas pessoas tenham o interesse de trabalhar na Igreja, a Lifeway Christian Resources informou que “há uma lacuna entre os fiéis que dizem querer participar de um trabalho voluntário e aqueles que de fato o fazem” (https://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/maioria-dos-fieis-nao-servem-em-suas-igrejas-aponta-pesquisa.html). Neste caso, não estamos nos referindo a exercer alguma atividade profissional como funcionários no ambiente das igrejas, mas o de realizar serviço voluntário. Nessa pesquisa foi identificado que “entre os grupos denominacionais cristãos, os luteranos foram os que mais relataram voluntariado em um grupo no último ano (53%), seguidos pelos batistas (29%), membros da Igreja de Cristo e afiliados a igrejas não denominacionais (ambos com 28 %) e metodistas (7%)”.

Desenvolvimento

  1. É notório o aumento do serviço voluntário em todo o país, seja em atividades contínuas, seja em eventos ocasionais. A Pesquisa Voluntariado no Brasil 2021 constatou que “56% da população adulta diz fazer ou já ter feito alguma atividade voluntária na vida. Em 2011, esse número representava 25% da população e, em 2001, apenas 18%. Chama atenção também o número de voluntários ativos no momento da pesquisa – 34% dos entrevistados, o que representa cerca de 57 milhões de brasileiros comprometidos com atividades voluntárias[2]. Os serviços arrolados são atender a necessidades de vizinhos, de moradores de rua, de enfermos nos hospitais e casas de saúde, de crianças desamparadas, de idosos em asilos, prevenção de suicídios, animas abandonados, projetos sociais. Para esses serviços, os voluntários precisam preencher exigências naturais dos serviços nos quais venham a se engajar, inclusive dedicação, comprometimento e amparo legal (https://www.idis.org.br/o-brasil-conta-com-57-milhoes-de-voluntarios-ativos-segundo-pesquisa-voluntariado-no-brasil-2021/).
  2. Ocorre, todavia, que a atitude de servir na igreja tem mais outras exigências, principalmente exigências espirituais. Por isso, eu creio que foi no objetivo de explicar sobre os requisitos para exercer o serviço cristão que o apóstolo Paulo escreveu sobre os dons espirituais. Em outras palavras, o que estou afirmando é que para as pessoas servirem a Deus precisam ter mais do que talento natural ou capacitação acadêmica ou amparo legal. Não basta apenas que adquiram habilidades e eficiência exigidas no serviço voluntário e no mercado de trabalho.

2.1. Para que a obra do Senhor seja inegavelmente espiritual, ela precisa ser resultada da plenitude do Espírito Santo na vida do crente e da concessão dos respectivos dons úteis e necessários à obra.  Nesse sentido, além dos textos que tratam de dons espirituais em Romanos e Efésios, eu gosto muito da abordagem em I Coríntios 12.1-7 por várias razões, que desejo salientar agora para aqueles que estão sendo motivado a trabalhar na igreja: Não existe apenas um dom espiritual, isto é, um tipo de serviço que se presta a Deus. Ainda que o Espírito Santo seja um só, as capacitações são diversas. (12.4-6).  

2.2. Os dons são concedidos para o que for útil ou necessário numa igreja e não para exibição de superioridade ou poder espiritual. Se não existe uma demanda que precisa ser atendida então o dom não é concedido (12.7).  Quem decide o dom que será outorgado é o Espírito Santo, mesmo que o crente tenha vontade de receber este, aquele ou aquele outro dom (12.11).

  1. Penso que, uma das razões pelas quais a vontade de servir na igreja e a atitude efetiva de servir deixa uma lacuna já constatada nas pesquisas, é a ausência de uma percepção de qual seja o dom que o crente tem, concedido pelo Espírito Santo. Para desfazer essa lacuna, uma das ferramentas já colocadas à disposição das igrejas é o Inventário dos Dons Espirituais. O pressuposto dessa ferramenta é que o Espírito Santo concede dons que estejam sendo necessários na igreja local, mas não foram identificados pelos membros da igreja. Vários sites fornecem esse material, inclusive para fazer on line: https://mintools.com/spiritual-gifts-test.htm

Conclusão

  1. Tendo desejo de trabalhar para Deus na igreja local e o fazendo com base em dons espirituais, o que os crentes ganham não é dinheiro, nem publicidade e nem prestígio. Os crentes experimentam sentimento de utilidade neste mundo: “Sou uma pessoa útil para Deus. Sou cooperador de Deus. Deus atua através de mim”. Este sentimento será confirmado por Jesus que lhe dirá no coração: “Servo Bom e fiel”. Também fará para glória de Deus: “Para que vejam vossas boas obras e glorifiquem o Pai Celestial” (Mateus 5.16). Mais ainda: após a sua morte, acontecerá o que diz Apocalipse 14.3: “E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam”.