Gênesis 48.8,9
AVÓS 2.0
Introdução
- Inegavelmente o título “Avós 2.0” tem o objetivo de transmitir a ideia de uma nova geração de avós que é conectada à tecnologia da informação. Sugere o surgimento de avós numa versão atualizada, em relação às gerações anteriores. Consequentemente tem a oportunidade de saber o que está acontecendo com as famílias no mundo e não apenas no que acontece com sua família, em sua casa, como ocorria com Jacó, inserido apenas em sua cidade. Ao estarem conectados, são avós que percebem o AUMENTO de uma população de avós efetivamente cuidando de netos, de várias maneiras, como resultado do aumento da população idosa e do contínuo nascimento de crianças, em todo mundo. A esse propósito, um estudioso escreveu: “O idoso contemporâneo vem assumindo um papel sócio familiar relevante, apontando novas características na microestrutura familiar. Além de contribuírem financeiramente na sustentação de suas famílias, também assumem cuidados junto aos netos. Muitas vezes, respondem inclusive para formação de crianças e/ou pré-adolescentes” (https://www.scielo.br/j/cenf/a/nKnHWrLhS8HrCbL7TPM88mk/?format=pdf&lang=pt) .
1.1. De acordo com um estudo feito, “o século XXI será considerado o século dos avós. Entre os americanos, mais de 50% tornam-se avós com idades entre 49 e 53 anos e passam nessa função de 30 a 40 anos. Na França, com idade em torno dos 65 anos, 80% são avós e, aproximadamente, metade dessa população será bisavó. Já na Inglaterra, por volta dos 54 anos, 50% das pessoas têm netos. Deste grupo, 25% dos avós são os principais responsáveis por cuidar dos netos e o fazem em torno de seis horas por dia”. Na África, estima-se que mais de 10 milhões de crianças são cuidadas pelos avós, principalmente depois das mortes dos pais em virtude da AIDS (Wikipédia). Na China, a estimativas são de mais de 60 milhões de crianças criadas pelos avós em decorrência do processo de industrialização capitalista em várias cidades, gerando o que se chama de “crianças deixadas para trás”, em virtude dos pais saírem do interior para trabalhar nessas cidades (Wikipédia).
1.2. Nesse sentido, destaca-se também o nosso Brasil, que “de acordo com dados do último censo do IBGE, as famílias brasileiras, atualmente, passam a ter mais avós e netos em relação aos tempos anteriores (IBGE, 2010), o que sinaliza o aumento na expectativa de vida da população brasileira” (https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/35164/24865).
- Outra oportunidade criada é perceber que além da família tradicional e dos novos tipos de famílias que surgiram, como a família monoparental (formada por um dos pais e seus filhos), unipessoal (constituída por uma só pessoa em casa), reconstituída (formada por pais separados com seus respectivos filhos), homoafetivas (constituídas por homossexuais e filhos adotados), também existem cada vez mais a família anaparental (quando os avós assumem a guarda, o sustento e a criação dos netos). Neste caso, os netos dependem totalmente dos avós, independentemente de terem ou não seus pais.
Desenvolvimento
- Uma vez estabelecidas essas realidades sociais pertinentes ao mundo e ao Brasil, o passo seguinte dessa geração de avós 2.0 é perceber que para a sociedade judaico-cristã retratada nas páginas da Bíblia, Deus revelou que o processo de formação da personalidade e a construção de uma experiência espiritual também dependem da influência dos avós, seja em atuação de tempo integral, seja em atuação eventual, além da educação dada pelos pais.
1.1. Quanto à formação da personalidade pela influência dos avós, achei muito interessante uma reportagem feita pela BBC com uma senhora sobre o que ela pensava da tarefa de cuidar dos seus netos. Para essa mulher de 71 anos, uma coisa é ajudar os filhos quando surge um problema específico e outra é estar sempre com os netos. Ela disse na reportagem: “Se um dia eles não puderem e precisarem que eu vá buscar a criança na escola, tudo bem. Mas pegar o neto de manhã e ficar com ele o dia todo até os pais voltarem do trabalho definitivamente não é correto, porque eu tenho a minha vida e agora que me aposentei tenho tempo para fazer outras coisa” (https://www.terra.com.br/nos/os-avos-que-nao-querem-ser-explorados-cuidar-dos-netos-ocasionalmente-e-diferente-de-virar-cuidador-principal,426981543838cdf248e1ab903044be37gr8kv5nc.html). Por outro lado, estudos feitos e publicados mostraram os efeitos positivos do relacionamento entre avós e neto. Um dos estudos feito com 500 avós mostrou que avós que ajudam a cuidar dos netos vivem mais do que aqueles que não têm tanta participação na rotina das crianças. A presença na vida dos netos pode aumentar a expectativa de vida dos avós. Outro estudo feito com 1.500 crianças e adolescentes mostrou que a presença de seus avós em seu desenvolvimento fez com que crescessem mais felizes. Isso aconteceria porque a participação dos avós ajudaria a amortizar algumas dificuldades da criança, acalmar e dar segurança (https://leiturinha.com.br/blog/avos-que-cuidam-dos-netos-vivem-mais/)
1.2. Quanto à experiência de construção espiritual, ela pode acontecer seja ocasionalmente, seja inserido, seja exclusivamente, desde que sejam considerados os seguintes exemplos bíblicos:
- a) Deuteronômio 4.9 (Tão somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos). Isto é, procuram transmitir os ensinos de Deus também aos seus netos.
- b) II Timóteo 1.5 e 3.15 (Lembro-me de sua fé sincera, que viveu primeiro em sua avó Loide e em sua mãe Eunice e, estou convencido, agora vive em você também, pois desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus). Isto é, transmitem um estilo de vida cristã.
- c) Salmo 103.17 (Mas o amor leal do Senhor, o seu amor eterno, está com os que o temem e a sua justiça com os filhos dos seus filhos). Isto é, reivindicam promessas de Deus em favor de seus netos.
- d) Gênesis 48.8,9, 15,16 (Israel viu os filhos de José e disse: Quem são estes? José disse a seu pai: Eles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui. E ele disse: Peço-te, traze-mos aqui, para que os abençoe. E abençoou a José e disse: O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e multipliquem-se como peixes, em multidão, no meio da terra). Isto é, colocam-se diante de Deus em oração para interceder em favor dos seus netos também.
1.3. Esse modelo de avós 2.0, seja ocasional ou inserido ou exclusivo pode ocorrer através da influência de um estilo de vida, da transmissão de ensinos, da reivindicação de promessas e da intercessão. Enfim, realmente os avós podem contribuir para que os filhos de seus filhos sejam crentes autênticos.
- Outro aspecto a considerar diz respeito ao comportamento reativo dos netos para com seus avós, principalmente nesta época de uso exagerado das redes sociais, das mudanças nos valores familiares e das inegáveis diferenças entre as gerações.
2.1. Se um comportamento recomendado na Bíblia é o respeito aos idosos, esse respeito naturalmente há de se estendido aos avós, reconhecendo a experiência acumulada nas muitas experiências da vida, conforme ensina o texto bíblico de levíticos 19.32: “Levantam-se na presença de idosos, como expressão honra”.
2.2. Se os avós moram sozinhos em seus respectivos lares, outra recomendação bíblica é lhes proporcionar presença sempre que possível, expressando delicadeza, carinho, atenção, ajuda, apoio e ouvindo suas histórias, pois o texto de Jó 12.12 afirma: “Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento."
2.3. Convivendo juntos ou visitando ocasionalmente, os netos podem colaborar acompanhando consultas médicas, auxiliando no uso da tecnologia, realizando pequenas compras, ajudando em deslocamentos, resolvendo questões burocráticas. Agindo assim, estarão aplicando em seus relacionamentos as recomendações da mutualidade cristã, tais como “amem uns aos outros”, “cuidem uns dos outros”, “sustentem uns aos outros”, “protejam uns aos outros”, “enalteçam uns aos outros”.
Conclusão
Uma vez chegando à velhice e vivendo a experiência de ter filhos que tenham filhos, será impossível não sermos avós dos nossos netos, mesmo que tenhamos nossa própria vida e os vejamos ocasionalmente ou sendo avós que iremos morar junto com eles ou sendo os únicos que cuidaremos deles. Os avós 2.0 experimentam também o que diz Provérbios 17.6: “os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos”.













