200. Não Era Ritualismo

Salmo 55.17; Daniel 6.10

NÃO ERA RITUALISMO

Introdução

  1. Para aqueles que não sabem, ritualismo religioso é uma prática que nós rejeitamos porque se caracteriza pela repetição de regras, atitudes e cerimônias com o objetivo de negociar com Deus, para alcançar favor e graça. Além ser estéril nesse objetivo, torna a religiosidade mecânica, superficial e vazia de espiritualidade.
  2. Observando a atitude de Davi e Daniel ao se colocarem diante de Deus em oração três vezes ao dia, em todos os dias da semana, num primeiro momento nós poderíamos pensar que a atitude deles não passava de mero ritualismo religioso, à semelhança de outros religiosos de sua época, que assim agiam. De acordo com a tradição judaica, havia três orações diárias fixas: Shacharit (manhã), Minchá (tarde) e Maariv/Arvit (noite) e que teriam sido criadas pelos patriarcas. Abraão teria criado a da manhã, Isaque a da tarde e Jacó a da noite.
  3. Com essa interpretação, nós corremos o risco de pensar que Davi e Daniel se tornaram ritualistas, pois de maneira repetitiva, durante todos os dias se colocariam três vezes diante de Deus em orações, mesmo que não quisessem, mesmo que não sentissem esse desejo, mesmo que não fosse expressão de espiritualidade deles.

Desenvolvimento

  1. A maneira de entender a atitude de Davi e Daniel é perceber que eles se colocavam três vezes durante o dia em todos os dias por ser um estilo de vida espiritual. Ele realmente queriam estar sempre na presença de Deus. Não era um ritualismo, mas a expressão de uma vontade intensa de ter com Deus comunhão. Não era repetição mecânica, superficial e vazia, mas um modo sincero, profundo e espiritual de viver espiritual e continuamente na presença do Pai Celestial.
  2. À luz dessa percepção, podemos concluir que a diferença entre o que seja ritualismo e o que seja espiritual não está na atitude de repetir as atitudes de buscar a presença de Deus, mas na ausência de sinceridade e verdadeira vontade de buscar essa presença de Deus e de fazer a sua vontade.

2.1. Na leitura dos salmos, você percebe exatamente esse intenso e profundo desejo de Davi: Salmo 84.1-4; 37.4-7; 73.28.

2.2. Na leitura do livro de Daniel, você percebe o estilo de vida espiritual dele por sempre estar lendo a Bíblia (Daniel 9.2), por aceitar a morte para não praticar a idolatria (Daniel 3.17-20) e por insistir numa dieta alimentar que não violasse os preceitos da lei (Daniel 1.8).

2.3.  Essa compreensão de alguém que deseja estar sempre na presença de Deus e fazer sua vontade pode ser vista em Enoque. Diz o texto bíblico que andava tanto na presença de Deus, que Deus o tomou para si, satisfazendo assim seu desejo de sempre estar com o Pai Celestial (Gênesis 5.22-24).

2.4. Séculos mais tarde, dirigindo-se aos cristãos, o apóstolo Paulo enfatizou a importância da comunhão contínua com o Pai Celestial (I Tessalonicenses 5.17).

  1. Por mais que alguém pense o contrário, eu tenho aprendido que um crente que não ora várias vezes ao dia, que não lê a Bíblia freqüentemente, que não está presente todos os domingos no culto, que não entrega em todos os meses seus dízimos e ofertas, que não trabalha repetidas vezes na igreja terá muita dificuldade em evidenciar, mostrar, provar que realmente ama a Deus e quer fazer a sua vontade. Se alguém contra argumentar dizendo que não tem que provar nada através de atitudes que sejam repetidas, eu me limito a lembrar textos bíblicos incontestáveis, nesse sentido: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.16) e “Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (Apocalipse 14.13).

Conclusão

Para que a oração contínua, a leitura diária da Bíblia, a regular entrega dos dízimos e ofertas, a presença ininterrupta nos cultos, o trabalho perseverante na igreja fosse ritualismo exibicionista, nós teríamos que ser tão hipócritas como os fariseus da época de Jesus Cristo. Como não somos hipócritas como os fariseus, mas realmente amamos a Deus e queremos fazer a sua vontade, então devemos agir como Davi e Daniel, tendo Jesus Cristo como exemplo máximo de fé e prática espiritual das boas obras.