203. Consolar o Povo

Isaías 40.1

CONSOLAI O MEU POVO

Introdução

  1. Diante das adversidades, dificuldades, problemas, perdas, injustiças, perseguições, frustrações e sofrimentos as pessoas, as famílias e as igrejas precisam ser consoladas.

1.1. Significa em outras palavras, proporcionar alivio num momento de dor, confortar numa hora de fraqueza, animar numa situação de abatimento.  

1.2. Essa atitude pode ser expressa através de gestos como estar presente ao lado ou junto, ouvir com atenção o que está sendo compartilhado, expressar palavras gentis e compreensivas, ajudar em tarefas que ficam sem execução.

  1. Além de ser uma expressão de solidariedade ou empatia humana, o profeta Isaías revelou que esse era o principal desejo de Deus em relação ao seu povo, anunciando que havia chegado ao fim o período da punição, através do cativeiro. Havia chegado a hora do perdão, da paz, da esperança e da comunhão com o Senhor. A mensagem era: “Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente a Jerusalém, bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados”.

Desenvolvimento

  1. No caso específico do povo de Israel, o contexto histórico relatado nos livros de Reis e Crônicas, mostram dois períodos no livro de Isaías.

1.1. Entre o primeiro e o trigésimo nono capítulo do livro, mostra que o povo se deixara levar pela idolatria, pela injustiça social e pela desobediência aos mandamentos. A iniquidade havia se tornado um estilo de vida. Durante esse período, o profeta Isaías foi chamado por Deus para anunciar a chegada do juízo, que traria a destruição de Jerusalém e o cativeiro para a Babilônia. O pecado levaria o povo a um sofrimento que não havia experimentado até então e que duraria cerca de 50 anos.

1.2. A partir do capítulo 40, o profeta é chamado por Deus para anunciar o fim do castigo pelos pecados cometidos e a chegada de um novo tempo, com o perdão de Deus num ato de misericórdia. A iniquidade havia sido expiada e o povo poderia pensar e planejar o retorno à terra prometida, com o Senhor voltando à frente do povo e concedendo muitas bênçãos como o abrir rios em colinas cristas e fontes nos vales para saciar a sede e árvores frutíferas com sombras, simbolizando a transformação da escassez em abundância.

  1. Nos casos atuais, quando pessoas, famílias e igrejas passam por tribulações, perseguições, injustiças, adversidades, dificuldades, perdas, frustrações, problemas, a mesma necessidade de receberem consolação continua, inclusive de acordo com a vontade de Deus, além de ser uma atitude de solidariedade e ou empatia humanas.

2.1. Afinal de contas, se antes as pessoas e famílias viviam experiências amargas por causa de seus pecados, recebendo juízo e condenação como meios para expiação, sendo em seguida perdoadas e consoladas, em nossa era Jesus Cristo já sofreu o juízo e condenação em nosso lugar, expiando a nossa culpa.

2.2. Por isso, mesmo que um membro da igreja em Corinto tivesse praticado iniquidade e Paulo apóstolo até tivesse exigido disciplina radical (I Coríntios 5.1-6), logo depois o apóstolo escreveu para que o referido membro de igreja fosse consolado, pois já havia sofrido o bastante: “Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos. De maneira que pelo contrário deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza. Por isso vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor. E para isso vos escrevi também, para por esta prova saber se sois obedientes em tudo. E a quem perdoardes alguma coisa, também eu; porque se eu também perdoei alguma coisa, a quem a perdoei por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos sobrepujados por Satanás; porque não ignoramos os seus ardis!” (II Coríntios 2.6,7).

2.3. Não posso negar que às vezes existe em nosso coração um forte desejo de ver pessoas erradas sendo punidas e assim também funciona a legislação penal. Ocorre, todavia, que em nosso caso, diante de Deus, nossos pecados já foram punidos na cruz do Calvário, o arrependimento é um modo de viver essa expiação e o pecado cometido também gera sofrimento na própria pessoa, que, assim, precisa de consolação.

Conclusão

         Salientando a relevância da consolação em todas as situações de sofrimento, o apóstolo Paulo escreveu, para que ficasse gravado em nosso coração: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus”.  Em decorrência dessa experiência, Paulo recomendou em outra carta: “Consolai-vos uns aos outros” (I Tessalonicenses 4.18).  Assim, continua vigente em nossos dias a pregação de Isaías: “Consolai, consolai o meu povo”.