242. Nosso Resgate Espiritual

I Pedro 1.18,19

NOSSO RESGATE ESPIRITUAL

Introdução

  1. Vez por outra, os meios de comunicação noticiam o resgate de pessoas que estavam em cativeiro, passando por sofrimentos. Há poucos dias uma mulher foi resgatada de um cativeiro, em Águas Lindas de Goiás, no Distrito Federal, que estava em cárcere privado por cinco dias (O Globo, 24.8.26). Uma ação integrada entre policiais em Barra de São Francisco, ES, resgatou uma adolescente levada em cativeiro por bandidos, que exigiam dinheiro da família (Portal do Governo, 20/03/26). Em Franca, SP, uma criança recém-nascida, mãe e avó foram resgatadas pela polícia, que prendeu um homem responsável por mantê-las em cativeiro (G1, 07/07/26).
  2. Escrevendo sua carta aos cristãos dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, Pedro apóstolo usou a palavra resgate para falar a respeito do que Jesus Cristo fez em nosso favor ao derramar seu sangue em sua morte na cruz do Calvário. No caso dos cristãos, o apóstolo Pedro associou o resgate com o pagamento de um preço, pois este é o significado da palavra original “λυτρόω” (lytróō); tornar uma pessoa livre pelo pagamento de um resgate.

Desenvolvimento

  1. De acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, o maior valor pago por um resgate, ocorrido no Brasil, foi de quatro milhões de dólares, quando da libertação de Beltran Martinez, vice-presidente do Bradesco, sequestrado na zona oeste de São Paulo, pagos após 41 dias (Folha de São Paulo, 30/04/94). No Mundo, o maior valor pago foi no cativeiro realizado pelo grupo guerrilheiro Montoneros, na Argentina, em 1974, quando sequestraram Jorge e Juan Born, então herdeiros do terceiro maior conglomerado da América Latina, numa ação que rendeu um resgate de US$ 60 milhões (Zero Hora, 10/09/2016).
  2. No caso dos cristãos, o apóstolo Pedro esclareceu que o resgate não foi realizado através de dinheiro, prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Jesus Cristo, quando morreu na cruz do Calvário.

2.1. Para compreender o que Pedro estava dizendo, é preciso saber sobre a necessária prática religiosa de realizar sacrifícios de animais em ato de culto a Deus, conforme orientações prescritas no livro de Levíticos, na Bíblia. O preceito bíblico estabelecido dizia: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.20). Então, o pecador apresentava um cordeiro para ser morto em seu lugar, a fim de que fosse perdoado. Por isso, também está escrito: “Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecado” (Hebreus 9.22).

2.2. Considerando essa maneira de resolver o problema do pecado humano, Jesus Cristo veio ao mundo, para derramar seu sangue, morrendo na cruz do Calvário, de modo substitutivo. João Batista o apresentou dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Paulo apóstolo escreveu teologicamente sobre esse sacrifício de Jesus Cristo: “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). O apóstolo João deixou escrito em sua carta: “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado” (I João 1.7).

2.3. Por isso, Pedro apóstolo esclareceu que nem a prata e ouro, as boas obras, a justiça pessoal, o esforço próprio, a reencarnação, os rituais religiosos  – nada pode resolver o problema do pecado humano para perdão de seus pecados e lhe proporcionar salvação eterna.

  1. A necessidade de fazer o resgate espiritual e pagar o preço pelo derramamento do sangue de Jesus Cristo, ocorre por causa da “vã maneira de viver que por tradição recebemos dos nossos pais”.

3.1. Esta longa expressão significa um estilo de vida vazio, fútil, sem sentido, ilusório, carnal, mundano, diabólico e baseado em costumes antigos herdados da família ou da religião que não levam a Deus.

3.2. Esse tipo de estilo de vida pode ser visível na prática dos vícios de beber, fumar, usar drogas. Também é visível na escolha errada de comportamentos sexuais pautados pela libertinagem, homossexualidade, prostituição, lascívia, na luxúria. Ainda pode ser visível na corrupção, no suborno, nos roubos, na violência, na criminalidade, na mentira, nos jogos de azar, na idolatria, feitiçaria.  Igualmente são visíveis no egoísmo, na vaidade, na soberba, na incredulidade, no ateísmo, no agnosticismo, nas ideologias.

Conclusão

Se resgatar pessoas de cativeiros humanos é importante, o resgate espiritual de um pecador é muito mais importante e acontece quando ele reconhece seus pecados, acredita em Jesus Cristo, recebe-o como Senhor e Salvador e experimenta um novo estilo de vida, pois “aquele que está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram e tudo se fez novo” (II Coríntios 5.17).