II Coríntios 2.1-4
UM PASTOR ENTRISTECIDO
Introdução
- Acredito que a maioria das igrejas tem a expectativa de que seus pastores estejam alegres com elas. Afinal de contas, a alegria faz parte da vida cristã como dádiva concedida por Jesus Cristo, inclusive para aqueles a quem ele chama para o ministério pastoral. Também qualquer ministério pastoral que seja realizado sem alegria acaba se tornando uma experiência negativa, prejudicando principalmente os propósitos que uma igreja precisa alcançar quando convida um pastor.
- Ocorre, todavia, que a igreja em Corinto conseguiu entristecer o coração do apóstolo Paulo durante o tempo quando ele ali exerceu o ministério pastoral. A leitura das duas cartas por ele dirigidas a essa igreja revela que a igreja conseguiu ter vários comportamentos que o deixaram muito triste, a ponto de escrever o que está neste versículo: “Mas deliberei isto comigo mesmo: não ir mais ter convosco em tristeza. Porque, se eu vos entristeço, quem é que me alegrará, senão aquele que por mim foi contristado? E escrevi-vos isto mesmo, para que, quando lá for, não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me; confiando em vós todos, que a minha alegria é a de todos vós. Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho”.
- A maioria dos assuntos tratados pelo apóstolo em suas cartas à igreja em Corinto foi motivo para tristeza, tais como as divisões e contendas entre os membros, imoralidade na tolerância do incesto praticado, ida aos tribunais para ajuizar processos mútuos, uso de alimentação oferecida a ídolos, confusão nos cultos públicos, dúvidas quanto à ressurreição. Todavia, há dois assuntos de natureza pessoal que o entristeceram ainda mais, os quais desejo destacar nesta oportunidade.
Desenvolvimento
- Um dos assuntos pelo qual ficara triste foi o fato de ter se tornado alvo de julgamento quanto à sua fidelidade, obrigando-o a se defender e se autopromover para valorizar seu ministério. Não havia plena confiança nele.
1.1. Isto pode ser verificado na primeira carta, quando ele escreveu: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e mordomos dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se dos mordomos que cada um se ache fiel. Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por algum juízo humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo. Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor” (I Coríntios 4.1-4).
1.2. Na segunda carta destacou o fato de que estaria até mesmo se valorizando e precisando de carta de recomendação: “Porventura começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de recomendação de vós? Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens” (II Coríntios 3.1,2).
1.3. Linhas adiante colocou esse fato de se valorizar na categoria de insensatez de ambas as partes: “Outra vez digo: Ninguém me julgue ser insensato ou então me recebei como insensato, para que também me glorie um pouco. O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei” (II Coríntios 11.16-18).
- O outro assunto de sua tristeza estava no fato da igreja obrigá-lo a falar de suas necessidades financeiras, causando-lhe certo constrangimento, como se ele não quisesse ter uma profissão e estivesse no ministério para ganhar dinheiro. Esta situação foi por ele comentada na primeira carta, quando escreveu: “Só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo. Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória” (I Coríntios 9.6-11). Completou na segunda carta: “Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário: quando estava presente convosco e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei” (II Coríntios 11.8,9).
Conclusão
Ao terminar sua carta aos hebreus, o autor fez uma recomendação às igrejas para as quais se dirigiu, escrevendo que deveriam agir de tal forma que seus pastores pudessem se alegrar com elas, pois se eles ficassem tristes não seria nada proveitoso ou útil para elas mesmas (Hebreus 13.17). Diante de tudo isto, concluo que o melhor é tanto os pastores quanto as igrejas procurarem se alegrar mutuamente, pois a alegria cristã é uma das bênçãos de Deus para todos nós.












