Tiago 1.2, 12-15
LIDANDO COM TENTAÇÕES
Introdução
- É verdade que a palavra original aqui usada por Tiago e traduzida em alguns textos por tentação também é traduzida em outros textos por provação. Os estudiosos da língua grega explicam que o significado entre uma e outra tradução vai depender do contexto. Dependendo do contexto poderá significar uma experiência de sofrimento testando a fé, a confiança e a esperança em Deus ou uma experiência de estímulo e forte atração por algo proibido, inadequado, impróprio, errado, imoral, cujo objetivo é a morte espiritual.
- Neste texto escrito por Tiago, embora algumas versões usem a tradução de provação e outros de tentação, à luz do contexto, o assunto são os estímulos ou a forte atração por algo proibido, impróprio, errado, imoral. Algo que pode ser muito difícil de resistir e que leva a pessoa a fazer o que não deveria, principalmente como crente em Jesus Cristo. Tiago, portanto está escrevendo sobre tentações. Alguns exemplos simples poderiam ser: comer um doce quando está de dieta, comprar um produto sem ter necessidade, usar bebida alcoólica pela pressão dos amigos.
Desenvolvimento
- Ao viver esse tipo de experiência, normalmente o verdadeiro cristão fica “entre a cruz e a espada”, oscila entre fazer ou não, interpreta que está recebendo um convite para pecar e começa a sentir tristeza ao perceber que sua carne é fraca e poderia sucumbir.
1.1. Neste caso, o apóstolo Tiago recomenda que, em vez de tristeza, o cristão passe a sentir alegria. A palavra original é “χαρά” (chará), que realmente significava alegria, satisfação. É a mesma palavra usada para a emoção dos magos quando viram a estrela do Natal (Mateus 2.10), para a emoção do homem que achou o tesouro oculto no campo (Mateus 13.44), para a emoção das mulheres quando viram que Jesus havia ressuscitado (Mateus 28.8), para a emoção dos samaritanos quando Filipe lhes pregou o evangelho (Atos 8.8).
2.2. Mais ainda: a alegria deve ser a emoção inclusive quando forem várias as tentações e não apenas uma. Em vez de reagir tristemente dizendo que uma tentação já seria suficiente para resistir e que não conseguirá diante de outras, o crente precisa enxergar que quanto mais tentações ele tiver, mais alegria poderá experimentar, diante das possíveis vitórias a alcançar.
- Linhas adiante, ele prosseguiu no assunto e acrescentou a ideia de felicidade, mencionando o resultado para aqueles que resistem. Ao perceber que as tentações são uma oportunidade para mostrar que realmente tem um compromisso com Deus, o crente será recompensado. Com esse resultado positivo, ele será feliz por três motivos: foi submetido a um teste para mostrar sua fé, viveu a experiência da tentação com alegria e, ao resistir, receberá a “coroa da vida” - uma figura de linguagem para falar de ornamento e honra para quem mostra fidelidade a Jesus Cristo.
- Em seguida, passa a esclarecer a relação que possa haver entre a atuação de Deus e tentação quando uma pessoa a ela é submetida. Seu esclarecimento argumenta que sendo uma expressão do mal para prejudicar os crentes, ela nada tem a haver com Deus. Acentua inclusive que Deus não tenta a ninguém. Algumas ideias decorrentes do ensino: Deus é santo em sua natureza, não sendo atingido pelo mal; Deus não usa o mal para testar uma pessoa; Deus não precisa saber se um crente é ou não verdadeiro, através de um teste.
- Tiago chega ao clímax revelando que a tentação tem suas próprias origens. Toda tentação começa com os desejos da pessoa. Neste caso, “ἐπιθυμία” (epithymía) não significa apenas desejo, mas desejo pelo que é proibido, luxúria. Depois, passa a existir uma atração e uma sedução para envolver a pessoa, que agarra “συλλαμβάνω” (syllambánō) a oportunidade e gera o pecado através de uma atitude ou ação (pecado), cujo resultado final será a morte espiritual da pessoa. Enquanto não houver atitude ou ação (pecado) é apenas tentação, com oportunidade para passar no teste e ter e vida em vez de morte espiritual.
Conclusão
Tiago disse para lidarmos com a tentação com alegria por ser uma oportunidade para resistir e sermos vitoriosos. Jesus Cristo em tudo foi tentado, sem pecar, deixando-nos o modelo a seguir. João apóstolo manteve o ensino para não pecarmos, mas se pecarmos, Deus é fiel e justo para nos perdoar, mediante o arrependimento a confissão.














