181. Tragédias Familiares

Gênesis 4.6-11; II Timóteo 3.1,2

TRAGÉDIAS FAMILIARES

Introdução

  1. Se a nossa fonte de notícias fosse reduzida aos meios de comunicação, tais como rádio, jornais, revistas e televisão, nós diríamos que as famílias atuais estão vivendo dias dramáticos, com muita confusão dentro de casa.

1.1. Dados divulgados recentemente informam que o Brasil atingiu a marca alarmante de 29 milhões de casos de violência doméstica e que cerca de 1.600 crianças ficam órfãs, por ano, em razão de feminicídio. 1.2. Basta lembrar dois casos que se tornaram famosos como o da família Furuyama, em Curitiba, PR, em que a esposa, o marido e o filho foram mortos num duplo homicídio, seguido de suicídio. Também o de uma família paulista, em que duas crianças foram encontradas mortas dentro de um carro, depois que aconteceu o fim do relacionamento conjugal e o pai teria cumprido ameaças de matar os filhos.

  1. Acontece, porém, que na verdade, não temos apenas os meios de comunicação e as mídias sociais. De acordo com as notícias publicadas na Bíblia, tragédias familiares existem desde o princípio e continuarão a existir até ao final da história humana na face da Terra. No princípio Caim matou seu irmão Abel e no final os filhos serão ainda mais “desobedientes, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, intemperantes, cruéis, sem amor”.
  2. Em razão desses dramáticos fatos, não faltam especialistas contrários à ideia da família como base da sociedade, argumentando que esta ideia precisa ser revista, principalmente a ideia de família cristã. Sim, sociólogos, historiadores e antropólogos argumentam que o conceito de família, composta por pai, mãe e filhos é uma construção social enganosa, com uma idealização fantasiosa.

Desenvolvimento

  1. De acordo com esses especialistas das ciências sociais, que duvidam do conceito de família e questionam a origem dela como obra de Deus, de acordo com a Bíblia, tendo como características a formação de uma personalidade saudável através de laços harmoniosos, é uma falácia.

1.1. Argumentam que essa fantasia foi criada através de comerciais de televisão e filmes que divulgaram uma ideia romântica do relacionamento conjugal e  familiar, levando as pessoas a perderem de vista a realidade.

1.2. Insistem em declarar que a sociedade contemporânea deve deixar o conceito de casamento e família herdado da tradição judaica cristã, pois a própria Bíblia mostra retratos imperfeitos e as necessidades dos povos e nações atuais precisam ser satisfeitas através de outras opções relacionais.

  1. O erro básico de quem interpreta que as tragédias humanas ocorridas dentro das famílias tem origem na própria família é ignorar que as tragédias humanas tem origem na natureza humana e são desencadeadas por pessoas com sérios problemas psicológicos, psiquiátricos e espirituais.

2.1. Isto significa que infelizmente algumas estruturas familiares não são suficientes por si mesmas para corrigir ou curar esses problemas. Não bastaria estar numa família para ser uma pessoa saudável. Pelo contrário: uma pessoa com problemas poderia afetar e até destruir uma família, como aconteceu com Caim, com os casos noticiados pelos meios de comunicação e com as situações que ainda irão ocorrer no final dos tempos. O problema não é a família, mas uma ou várias pessoas dentro de uma família.

2.2. Isto significa que a natureza humana foi corrompida desde o início em seus valores éticos, morais, sociais, espirituais. Na linguagem teológica, a partir da revelação bíblica, o ser humano se deixou corromper quando não quis e nem quer Deus na sua vida, optando por ser dono de si mesmo e por sua maioridade espiritual. Em sua teologia escrita aos Romanos e recorrendo ao livro de Salmos, o apóstolo Paulo explicou: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios, cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Romanos 3.10-18).

2.2. Isto significa que, além de tratamento psicológico e psiquiátrico, para não comprometer a boa imagem de sua família e do seu casamento como obra de Deus, essas pessoas precisam se converter, mediante o arrependimento de seus pecados, sua fé em Jesus Cristo e sua obediência aos ensinos bíblicos. Por isso, em sua teologia na carta aos romanos, o apóstolo Paulo confessou e concluiu da seguinte maneira: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 7.24,25).

Conclusão

O que a história de Caim e Abel mostra, além de outras histórias registradas na Bíblia, assim como as histórias dramáticas noticiadas nos meios de comunicação atuais e outras que serão noticiadas no futuro, é que as pessoas precisam de Deus, através de Jesus Cristo, inclusive para viver numa família cristã, a fim de que sejam bênçãos para suas famílias e suas famílias sejam bênçãos na sociedade.