289. Orações Não Atendidas

Tiago 4.3

ORAÇÕES NÃO ATENDIDAS

Introdução

  1. Acostumamos à revelação bíblica de que Deus prometeu ouvir nossas orações e que Jesus Cristo atendia orações que lhe eram feitas, mostrando sensibilidade para com as necessidades das pessoas e das famílias, principalmente quando incluíam dores, sofrimentos e morte. Por isso, sempre temos dificuldades em lidar com a realidade de orações não ouvidas ou não atendidas e ficamos sem entender o que estaria acontecendo.

1.1. Algumas vezes a causa imaginada é associada a um estilo de vida pecaminoso ou a algum pecado escondido. Para sustentar essa causa, costumamos lembrar a palavra dita por Deus através de Isaías, quando esclareceu ao povo daquela época que o pecado impedia a resposta (Isaías 59.1-3). Ou lembramos Davi quando dizia a Deus para livrá-lo dos pecados que lhe eram ocultos (Salmo 19.12).

1.2. Outras vezes, a causa apontada seria a ausência de fé para mover os céus e abrir suas janelas. Quando entendemos assim, costumamos lembrar a explicação de Jesus quando Pedro não conseguiu andar sobre as águas, dizendo que tivera dúvida em vez de fé (Mateus 14.31), contrapondo pessoas às quais Jesus disse que foram atendidas porque tinham grande fé (Mateus 15.28).

  1. Diferentemente dessas interpretações, a explicação dada por Tiago aos crentes de sua época, quando viveram o mesmo problema de não verem suas orações serem atendidas, foi dizer que faziam pedidos motivados apenas pela cobiça, vaidade ou satisfação de caprichos pessoais, mostrando falta de alinhamento com a vontade ou propósitos de Deus, em razão de nossa própria perspectiva limitada a eles mesmos.

Desenvolvimento

  1. Para não constranger quem quer que seja, mencionando sua situação pessoal, vamos observar alguns casos ocorridos durante o ministério de Jesus Cristo, quando ele não atendeu orações que lhe foram feitas, a fim de tirarmos nossas conclusões.

1.1. Dois irmãos entraram numa polêmica entre si, porque um deles resolveu se apropriar de toda a herança deixada pelo pai. Não tendo força para resolver o problema, um deles recorreu a Jesus, numa dramática oração. Em vez de atender, Jesus se posicionou dizendo que não iria entrar naquela disputa, explicando que não fora constituído juiz da questão. Acrescentou uma parábola em que mostrava um homem mais preocupado com os bens materiais do que com a salvação da alma após a morte. Não havia pecado oculto e nem falta de fé. O que havia era o que foi explicado por Tiago: apego aos bens materiais comprometendo a visão espiritual da vida (Lucas 12.3-21).

1.2. A mãe de dois apóstolos e eles mesmos fizeram uma oração, pedido a Jesus que os dois se sentassem no trono, um do lado direito e outro do lado esquerdo. Aquela oração era mais do que uma busca de proximidade e intimidade com Deus. Eles queriam destaque, mostrando distinção e expressando vaidade espiritual. Os outros dez apóstolos mostraram o mesmo problema ao ficarem indignados com o pedido deles, pois os dois estariam passando na frente, dando uma rasteira neles. Nessa hora, além de não atender a oração feita, Jesus ensinou que a busca pela primazia pessoal corrompe e que a melhor maneira de alcançar reconhecimento público é através do serviço prestado. Não havia falta de fé e nem pecado oculto. O que havia era o que foi explicado por Tiago: amor aos lugares de destaque comprometendo o valor do serviço cristão (Mateus 23.20-28).

1.3. Um das pessoas que havia sido convidada por Jesus para segui-lo recebeu a inesperada notícia do falecimento do seu pai. Naquela época, o discipulado cristão implicava na atitude de estar com Jesus em todos os momentos, acompanhando-o a todos os lugares. Estando num dilema entre seguir Jesus e parecer que havia abandonado o pai, deixando de fazer seu funeral, o homem fez uma oração que aparentemente mostrava solidariedade familiar, pedindo a Jesus para primeiro deixá-lo sepultar o pai e depois voltaria para o discipulado. Jesus não atendeu seu pedido e explicou que havia outros familiares para fazer isto. Mais ainda, se o homem havia colocado em primeiro lugar que deveria sepultar o pai, Jesus lhe disse que a prioridade era pregar o evangelho. Não havia falta de fé e nem pecado oculto, mas o que Tiago disse: deixou de colocar o reino de Deus em primeiro lugar (Lucas 9.59,60).

  1. Se as nossas orações não estão sendo ouvidas e nem atendidas, as razões podem ser outras diferentes de pecados praticados, pois todos os nossos pecados já foram cravados na cruz do Calvário e o sangue de Jesus nos purifica de todos eles. Se a causa for falta de fé, Pedro apóstolos nos ensinou a resolver isso pedindo a Deus que aumente a fé e Jesus esclareceu que uma pequena fé pode mover montes. O mais certo e analisar as causas à luz do esclarecimento de Tiago. Para tanto, antes de pedir algo, reflita: a) “Os meus pedidos combinam com o plano que Deus tem para a minha vida?”; b) “Os meus pedidos estão refletindo apenas egoísmo e autossatisfação?”; c) Os meus pedidos estão considerando quais prioridades para minha vida espiritual?”.

Conclusão

 A expressão "gastar nos vossos prazeres" - do grego original “hedoné”, de onde vem a palavra hedonismo - vai muito além do simples ato de comprar coisas. Ela descreve uma postura de vida em que Deus não é considerado realmente, em que os bens materiais estão acima dos espirituais e que as necessidades desta vida são mais importantes do que a vida eterna. É buscar a felicidade pessoal através do máximo prazer carnal. Pior ainda é colocar esse hedonismo em nossas orações e alegar que Deus não está nos atendendo, sem nenhuma autocritica.