185. O Maior Entre Nóps

Mateus 18.1-4

O MAIOR ENTRE NÓS

Introdução

  1. A pergunta sobre quem é o maior entre várias pessoas tem sido usada em diversas áreas de atividades humanas, como esportes, cultura, conhecimento, economia, política. Exemplos: Quem é o maior jogador de todos os tempos? Quem é o maior ator ou atriz de cinema? Quem é o maior pintor de quadros que já existiu? Quem é o maior cantor de todos os estilos musicais? Quem é o maior cientista que já existiu no mundo? Quem é o maior pensador de todas as épocas? Quem é o maior estrategista militar de todos os povos? Quem é o maior político que já existiu? Quem é o maior economista que já contribuiu com as melhores ideias financeiras?
  2. Reproduzindo esse tipo de interesse visível em várias áreas das atividades humanas, os discípulos de Jesus Cristo também quiseram saber quem seria o maior entre eles. Na verdade, eles quiseram saber isto mais de uma vez, conforme Marcos 9.33-34 e Lucas 22.24. Não se pode ignorar a naturalidade da pergunta à luz da realidade da natureza humana, assim como não se podem ignorar razões psicológicas, culturais e políticas presentes no consciente ou inconsciente deles. Todavia, o que mais nos interessa nessa pergunta, que também poderia estar sendo feita por nós, é a resposta dada por Jesus Cristo.

Desenvolvimento

  1. Além da naturalidade da pergunta, a interpretação política do estabelecimento do reino de Deus, a exemplo de outros reinos humanos existentes, contribuiu para que eles tivessem a expectativa de ocuparem os melhores cargos, chegando ao ponto de expressarem o desejo de um se sentar à direita e outro à esquerda de Jesus Cristo (Mateus 20.21; Marcos 10.35-37).
  2. Outro aspecto que estava presente na cultura eram a honra e o status que determinados posições sociais podiam proporcionar. Conforme acontece ainda hoje, a posição social determinava como a pessoa era tratada, onde se sentava às mesas e o respeito que recebia. Para os discípulos, era natural transferir essa prática social para dentro do grupo que estavam fazendo parte (Marcos 9.33,34; Lucas 22.24; Tiago 2.1-9).
  3. Diante desses fatos, Jesus colocou uma criança no centro da discussão e acentuou a importância da humildade e da conversão.

3.1. Os discípulos precisavam entender o conceito do Reino dos Céus e a lógica diferente de Jesus, em relação ao mundo. Enquanto eles pensavam na grandeza nos termos do mundo (status, domínio e privilégio), Jesus pregou o oposto: a verdadeira importância de uma pessoa cristã está em ter como traço do seu caráter a humildade, à semelhança de como uma criança se comporta naturalmente. A palavra original é o verbo “ταπεινόω” (tapeinóō), que significava tornar baixo, rebaixar. Figuradamente queria dizer “alguém em uma posição ou lugar mais baixo”, comparado com outras pessoas. Mais tarde, o apóstolo colocaria esta atitude ainda mais clara, dizendo: “Considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Filipenses 2.3).

3.2. Todavia, antes de ensinar sobre humildade, Jesus Cristo apresentou a necessidade de conversão. Isto significa, na prática, à luz da natureza humana, que  sem conversão cristã não haverá humildade cristã. A palavra original é “στρέφω” (stréphō), um verbo que significava virar, girar. Na metáfora, significava mudar a conduta ou o comportamento. Em termos cristãos, significa pensar e agir diferentemente da maneira como mundo pensa e age em relação ao que Deus ensina, principalmente através de Jesus Cristo. O pressuposto é que um convertido a Deus será uma pessoa humilde diante de outras pessoas, sem ter a pretensão de ser maior do que elas.

Conclusão

Numa das ocasiões quando esses sentimentos e pensamentos humanos de superioridade vieram à tona, Jesus foi claro ao reconhecer que realmente no mundo é normal que algumas pessoas sejam maiores do outras, razão pela qual é natural perguntar quem é o maior nisto, naquilo ou naquilo outro. Jesus disse: “Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Marcos 10.42-45 NTLH). Portanto, entre nós não existem maiorais.