Mateus 18.1-4
O MAIOR ENTRE NÓS
Introdução
- A pergunta sobre quem é o maior entre várias pessoas tem sido usada em diversas áreas de atividades humanas, como esportes, cultura, conhecimento, economia, política. Exemplos: Quem é o maior jogador de todos os tempos? Quem é o maior ator ou atriz de cinema? Quem é o maior pintor de quadros que já existiu? Quem é o maior cantor de todos os estilos musicais? Quem é o maior cientista que já existiu no mundo? Quem é o maior pensador de todas as épocas? Quem é o maior estrategista militar de todos os povos? Quem é o maior político que já existiu? Quem é o maior economista que já contribuiu com as melhores ideias financeiras?
- Reproduzindo esse tipo de interesse visível em várias áreas das atividades humanas, os discípulos de Jesus Cristo também quiseram saber quem seria o maior entre eles. Na verdade, eles quiseram saber isto mais de uma vez, conforme Marcos 9.33-34 e Lucas 22.24. Não se pode ignorar a naturalidade da pergunta à luz da realidade da natureza humana, assim como não se podem ignorar razões psicológicas, culturais e políticas presentes no consciente ou inconsciente deles. Todavia, o que mais nos interessa nessa pergunta, que também poderia estar sendo feita por nós, é a resposta dada por Jesus Cristo.
Desenvolvimento
- Além da naturalidade da pergunta, a interpretação política do estabelecimento do reino de Deus, a exemplo de outros reinos humanos existentes, contribuiu para que eles tivessem a expectativa de ocuparem os melhores cargos, chegando ao ponto de expressarem o desejo de um se sentar à direita e outro à esquerda de Jesus Cristo (Mateus 20.21; Marcos 10.35-37).
- Outro aspecto que estava presente na cultura eram a honra e o status que determinados posições sociais podiam proporcionar. Conforme acontece ainda hoje, a posição social determinava como a pessoa era tratada, onde se sentava às mesas e o respeito que recebia. Para os discípulos, era natural transferir essa prática social para dentro do grupo que estavam fazendo parte (Marcos 9.33,34; Lucas 22.24; Tiago 2.1-9).
- Diante desses fatos, Jesus colocou uma criança no centro da discussão e acentuou a importância da humildade e da conversão.
3.1. Os discípulos precisavam entender o conceito do Reino dos Céus e a lógica diferente de Jesus, em relação ao mundo. Enquanto eles pensavam na grandeza nos termos do mundo (status, domínio e privilégio), Jesus pregou o oposto: a verdadeira importância de uma pessoa cristã está em ter como traço do seu caráter a humildade, à semelhança de como uma criança se comporta naturalmente. A palavra original é o verbo “ταπεινόω” (tapeinóō), que significava tornar baixo, rebaixar. Figuradamente queria dizer “alguém em uma posição ou lugar mais baixo”, comparado com outras pessoas. Mais tarde, o apóstolo colocaria esta atitude ainda mais clara, dizendo: “Considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Filipenses 2.3).
3.2. Todavia, antes de ensinar sobre humildade, Jesus Cristo apresentou a necessidade de conversão. Isto significa, na prática, à luz da natureza humana, que sem conversão cristã não haverá humildade cristã. A palavra original é “στρέφω” (stréphō), um verbo que significava virar, girar. Na metáfora, significava mudar a conduta ou o comportamento. Em termos cristãos, significa pensar e agir diferentemente da maneira como mundo pensa e age em relação ao que Deus ensina, principalmente através de Jesus Cristo. O pressuposto é que um convertido a Deus será uma pessoa humilde diante de outras pessoas, sem ter a pretensão de ser maior do que elas.
Conclusão
Numa das ocasiões quando esses sentimentos e pensamentos humanos de superioridade vieram à tona, Jesus foi claro ao reconhecer que realmente no mundo é normal que algumas pessoas sejam maiores do outras, razão pela qual é natural perguntar quem é o maior nisto, naquilo ou naquilo outro. Jesus disse: “Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Marcos 10.42-45 NTLH). Portanto, entre nós não existem maiorais.












