188. Cristãos Nervosos

Marcos 11.15; João 2.25

CRISTÃOS NERVOSOS

Introdução

“Cristãos Nervosos” é o título de um livro que tive em minha biblioteca durante alguns anos. Foi escrito por um psiquiatra, Gilbert Litle, depois de 29 anos de experiência médica, atendendo também a alguns cristãos que precisaram de sua ajuda.

1.1. Além de fazer uma abordagem espiritual sobre o assunto, ele explicou o que é nervosismo, tanto na vida do incrédulo como na vida do crente. Ele escreveu: “Cerca de 60 a 75% dos pacientes que consultam médicos recebem o diagnóstico: Condição física boa. Apenas sofre de nervosismo”. Ele esclareceu: “Os crentes sofrem, às vezes, de sintomas nervosos: ansiedade, dúvidas, cuidados, preocupações, pensamentos conturbados, temores e tensões corporais -- tensão nos músculos do pescoço, sensação de aperto na cabeça, dor de cabeça crônica... As tensões nervosas podem, ser a causa ou o fato excitante de eczemas, suor nas mãos e pés, eritemas e erupções na pele, alergias, asma, hipertensão, palpitação, dispepsias, úlcera gástrica, doença crônica de vesícula biliar, apendicite crônica, ataque de vômito, soluços, diarreias...”.

1.2. Diante de todas essas informações médicas a respeito do que seja nervosismo, eu pergunto a vocês: Jesus, que se declarou manso e humilde, estava demostrando nervosismo quando começou a expulsar os que vendiam e comprovam no templo e derrubou as mesas e cadeias usando seu chicote? Eu pergunto: Nervoso é a melhor expressão? Jesus estava sofrendo de danos nas células nervosas? Jesus estava doente neurologicamente?

Desenvolvimento

  1. Na verdade, o que Jesus estava experimentado era outra coisa. Algo que também experimentaram Moisés e João Batista. Vejamos o que era: “Indignou-se Moisés grandemente contra os oficiais do exército, capitães dos milhares e capitães das centenas, que vinham do serviço da guerra” (Números 31.14); “Vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mateus 3.7).,

1.1.   Jesus estava, pois, indignado com as pessoas pelo que estavam fazendo. Indignado, ele fez um chicote, derrubou mesas e cadeiras e fez as pessoas correrem assustadas. Alguém poderia até dizer corretamente: Jesus está zangado. Jesus está irado.

1.2. Rui Barbosa, mesmo não sendo crente, teve compreensão muito clara desse fato e escreveu um texto no seu livro “Oração aos Moços”, cujo título é “A Ira dos  Bons”. Vou citar alguns trechos: “Nem toda ira é, pois, maldade... não é agreste rude, mas exaltação virtuosa; não é soberba que explode, mas indignação que ilumina; não é a raiva desaçaimada, mas correção fraterna. Então, não somente não peca o que se irar, mas pecará não se irando... Dela esfuziam centelhas, em que se abrasa, por vezes, o apóstolo, o pai, o amigo, o orador, o magistrado... Então apalavra se eletriza, brame, lampeja, atroa, fulmina... Ei-la aí, a cólera santa! Eis a ira divina. Quem, senão ela há de expulsar do templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco?”.

  1. Exatamente porque às vezes a única solução é a indignação que pode se expressar em ira, o apóstolo Paulo também ficava indignado e dizia o que está escrito em Efésios 4.26: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.” Tiago, mais tarde, vai também escrever sobre o assunto: “Sabei isto, meus amados irmãos: mas todo homem seja pronto para ouvir, tardio parta falar, tardio para se irar” (Tiago 1.19). O que esses dois textos querem dizer é que o problema não está na ira, mas nela permanecer. O problema não está na ira, mas ela ser imediata. A ira deve ser evitada ao máximo, mas se for necessária, precisa existir. Uma vez existindo deve logo ser desfeita.
  2. Esta atitude não deve ser confundida com o nervosismo que pessoas expressam, inclusive crentes, em determinados momentos. Do ponto de vista neurológico, o nervosismo é a ativação do sistema de resposta ao estresse do organismo, podendo se expressar em comportamentos estranhos e descontrolados, passando a ser classificado na psiquiatria e na psicologia como um sintoma central de transtornos clínicos, com frequência prolongada e prejuízo real na vida pessoal, familiar, profissional do indivíduo e de outras pessoas que com ele convivam. Quando o nervosismo se torna um transtorno clínico crônico, a exposição prolongada ao cortisol e à adrenalina desregula o Sistema Nervoso Autônomo. Isso pode evoluir para problemas de saúde física, tais como distúrbios gastrointestinais graves (síndrome do intestino irritável, refluxo), alterações cardiovasculares (palpitações constantes, hipertensão) e enfraquecimento do sistema imunológico.

Conclusão.

  1. O manso e humilde Jesus não ficou nervoso! Ele estava indignado com o que viu acontecer e com o que as pessoas estavam fazendo de errado. Indignado e irado, ele ficou outras vezes diante da injustiça, da mesquinharia, da ingratidão, da avareza, da maldade, do orgulho, da maledicência, da falsidade, da falta de compreensão, da insensatez, da ausência de sabedoria. Dizer que ficou nervoso é um diagnóstico errado para o que acontecia eventualmente em seu ministério, no confronto com os adversários e inimigos.
  2. Jesus procurou ser humilde e manso durante toda a sua vida. Ensinou inclusive humildade e mansidão aos seus discípulos, mas quando a indignação tomava conta do seu coração diante dos erros, ele não ficava omisso, como se tivesse “sangue de barata” ou se como se fosse uma “mosca morta”. Ele corrigia, advertia e censurava com firmeza. Expressava indignação e não nervosismo.
  3. Se algum cristão está se sentindo nervoso não deve usar Jesus, João Batista e Moisés como exemplos. Neste caso, deve e precisa de ajuda médica e psicológica para cuidar de sua saúde.