207. Ter Boas Memórias

Lamentações 3.18-24

TER BOAS MEMÓRIAS

Introdução

  1. Quando se lê esta palavra proferida pelo profeta Jeremias ao enfatizar a importância de usar a memória de maneira positiva, não podemos ignorar que ela foi dita num momento de muita dor, sofrimento, perda, luto, ruína e desgraça. A nação foi invadida, o povo foi destruído e ele estava sendo levado como cativo para a Babilônia. Ele inclusive admite que poderia ser afetado pelas consequentes memórias traumáticas desses fatos.

1.1. Isto significa, em outras palavras, em termos das descobertas neurológicas atuais que, por conta de tudo o que havia acontecido ele ficaria com memórias traumáticas suficientes para prejudicar sua vida. Os traumas alteram profundamente o funcionamento do cérebro, modificando a forma como armazenamos lembranças e como reagimos ao mundo. O sistema de alerta do corpo entra em pane, o que gera impactos severos tanto na memória quanto na rotina e na saúde da pessoa.

1.2. A pessoa passa a evitar desesperadamente lugares, conversas, pessoas ou músicas que possam lembrar o trauma, o que limita severamente sua liberdade e rotina. Tem dificuldade em sentir emoções positivas, desapego em relação aos outros e uma sensação de que o futuro foi encurtado. É comum a vítima desenvolver pensamentos distorcidos, culpando a si mesma pelo ocorrido ou pelo fato de não ter reagido de outra forma.

1.3. Em nossos dias há pessoas vivendo esse tipo de experiência, seja porque acompanhou ocorrências de morte de algum ente querido, seja porque sofreu perdas financeiras inesperadas, seja porque foi assaltada e agredida na rua, seja porque sofreu abuso sexual, seja por vários outros motivos dramáticos.

  1. Por isso, ao perceber o que estava para acontecer consigo, Jeremias entendeu que a melhor maneira de lidar com os efeitos do sofrimento que iriam gerar memórias traumáticas, era assumir o controle e fazer com que sua memória fosse canalizada para lembranças positivas que também havia ocorrido na sua vida. Ele disse, em decisão: “Trarei à memória o que me dá esperança”.

Desenvolvimento

  1. É verdade que esse drama humano está sendo objeto de estudos por parte dos cientistas, inclusive para ver se conseguem descobrir a “pílula do esquecimento”. As pesquisas começaram com um cientista egípcio, Karim Nader, em 1990. Prosseguindo nos estudos, o neurologista Todd Sacktor descobriu em 2006 a principal proteína envolvida no processo. O psicólogo e pesquisador Alain Brunet divulgou o uso um medicamento no tratamento da memória traumática em 2007. (https://super.abril.com.br/ciencia/a-pilula-do-esquecimento/).
  2. Como em sua época não havia essas pesquisas e nem o uso de qualquer medicamento em caráter experimental, o profeta Jeremias foi iluminado pelo Espírito de Deus a lançar mão da terapia de trazer à memória o que pode proporcionar esperança.

2.1. Isto significa, em outras palavras, que é de suma importância para a pessoa traumatizada voltar a ter e desenvolver esperança. Nesse sentido, a Psicologia Positiva estuda o tema há muitos anos, pois reconhece sua importância para o bem-estar e a felicidade. Quem perde a esperança, não encontra mais sentido na vida. Por isso, o antônimo dessa palavra é desespero, desapontamento ou desamparo.  Estudos feitos por psicólogos mostram que a esperança evita ansiedade e a depressão. Com a esperança, conseguimos enfrentar os problemas e adversidades. (https://isiinfinity.com.br/artigos/esperanca-o-sentido-da-vida/)

2.2. Nesse sentido, são profundas as seguintes afirmativas bíblicas: Salmo 42.5; Isaías 40.31; Romanos 8.24,25; Hebreus 10.23.

  1. Como atitude prática, em momentos de dores e sofrimentos que podem produzir memórias traumáticas e afetar a vida, traga à sua mente e à memória do seu coração tudo o que Deus fez de bom em sua história pessoal, inclusive como expressão de suas misericórdias no passado e que se renovam a cada manhã, assim como o que Jesus Cristo fez em seu favor ao vir a este mundo e morrer na cruz do Calvário, principalmente perdoar seus pecados, dar-lhe a vida eterna e prometer sua presença em todos os dias.

Conclusão

Uma intelectual reagiu ao uso de medicação para apagar as memórias traumáticas com as seguintes palavras: “As medicações são eficientes, mas estão diminuindo nossa força de romper nossos limites. O sofrimento deve ser vencido e se transformar em ação” (Viviane Mosé). Sem entrar nesse mérito sobre usar ou não medicação, acredito que a atitude de Jeremias também poderá ser eficiente em sua vida.